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sábado, 27 de novembro de 2010

Once Brothers - dica

A realidade pode ser mais triste e emociante que qualquer dramalhão de cinema.

No final dos anos oitenta a Iugoslávia era uma potência no futebol e no basquete, tendo sua melhor geração nos dois esportes, porém a Guerra dos Balcãs que devastou o pais e o dividiu em seis novas nações, separou amigos, famílias, matou uma infinidade de pessoas e não deixou que estes atletas levassem o país a uma glória maior.

No futebol era o auge do Estrela Vermelha de Belgrado, que venceu a Copa dos Campeões e o Mundial Interclubes em 1991 e que tinha no elenco craques como Savicev, Jugovic, Prosinecki e Mihajlovic. Juntos com outros jogadores como Dragan Stojkovic levaram a Iugoslávia até a quartas de final da Copa do Mundo de 1990 na Itália e estavam entre os favoritos da Eurocopa 1992, porém o país foi punido e eles foram excluídos do torneio. A seleção tinha sérvios, croatas, bósnios e montenegrinos, assim com a equipe de basquete, sobre a qual este sensível documentário produzido pela ESPN conta a história da amizade entre o sérvio Vlade Divac e o croata Drazen Petrovic.

O documentário é narrado por Divac e começa em 1988 quando ele e o sérvio Igor Paspalj, junto com os croatas Drazen Petrovic, Tony Kukoc e Dino Radja levaram a seleção iugoslava de basquete a medalha de prata nas Olimpíadas de Seul, depois ao título Europeu de 1989 e por fim ao Mundial de Basquete da Argentina em 1990 quando venceram os EUA e a Rússia, chegando ao auge do esporte. Como todos os envolvidos contam, a equipe era como uma família e a política não fazia parte da vida deles, porém na comemoração deste título, um radical invadiu a quadra para comemorar com a bandeira da Croácia e Divac tomou a bandeira do sujeito alegando que o país era a Iugoslávia. Este gesto fez com que a imprensa croata o transformasse em vilão e o croata Petrovic que era quase um irmão, ficou magoado e se afastou de Divac, causando o início da separação dos povos que formavam o país também no esporte.

A guerra explodiu de vez e aquela seleção se separou, com os atletas croatas sendo pressionados para não conversarem com Divac. Nos depoimentos de hoje, Radja e Kukoc falam abertamente que tinham de se afastar com medo de retaliações e a amizade entre Petrovic e Divac que era grande não só pela seleção, mas por terem sido os dois primeiros europeus a jogar na NBA e que conversavam diariamente até o incidente da bandeira nunca se reatou, mesmo que Divac tenha tentado se aproximar. Petrovic era irredutível e o tempo ainda foi curto para curar as feridas, porque em 1993 ele faleceu num acidente de carro.

Em 1995 um novo episódio onde a política ficou acima do esporte, a Iugoslávia novamente venceu o Campeonato Europeu e no momento de receber as medalhas a equipe da Croácia que ficara com o bronze se retirou, uma das mais tristes cenas do esporte, os que formaram uma única equipe cinco anos antes defendendo um país, se transformaram em inimigos mortais. Fica clara a tristeza de Divac, primeiro por não ter tido a chance de voltar a conversar com o amigo Petrovic, inclusive ele diz em um certo momento “demoramos anos para criar uma amizade e a perdemos em segundos” e segundo pela separação do país, além de acreditar que a Iugoslávia era sua pátria verdadeira, ele tinha esperança de quem saber vencer o Dream Team americano nas Olimpíadas de Barcelona em 1992, caso a sua seleção ainda estivesse completa.

A parte final do documentário é triste e emocionante, primeiro com Divac andando por Zagreb na Croácia após vinte anos, sendo reconhecido pelas pessoas, mas sem que alguém tenha coragem de vir falar com ele e apenas um sujeito vira para câmera e o chama de Chetnik, nome usado pelos grupos paramilitares sérvios que caçavam os croatas, ou seja, a ferida da guerra ainda não se fechou totalmente. E por fim, o emocionante encontro de Divac com a mãe e o irmão de Petrovic e a visita ao túmulo do amigo, onde ele deixou como lembrança uma foto deles abraçados comemorando o título de 1990, segundos antes do incidente com a bandeira e o fim da amizade.

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Informações úteis:

  • Texto por: Hugo Quilici
  • Titulo original do filme: Once Brothers
  • País: EUA
  • Ano: 2010
  • Duração: 98 min.
  • Gênero: Documentário
  • Direção: Michael Tolajian
  • Avaliação: 9,0

sábado, 6 de novembro de 2010

O ódio - dica

Exclusão, dicriminação e violência numa só forma de arte. Não, não é nenhuma letra de rap...


O filme acompanha um dia na vida de três jovens que vivem num conjunto habitacional de classe baixa em Paris. O judeu Vinz (Vincent Cassel, de Irreversível) é o mais revoltado e menos inteligente, tenta resolver tudo na base da violência, o árabe Said (Said Taghmaoui, de G.I. Joe - A origem de Cobra) deseja conseguir uma namorada e tem extrema preocupação quanto ao seu futuro e o negro Hubert (Hubert Kounde, de O jardineiro Fiel) é o mais maduro, que acredita na paz e extravasa sua raiva na prática do boxe.

Estes três jovens praticamente excluídos da sociedade, se revoltam quando um amigo árabe, Abdel (Abdel Ahmed Ghili) é brutalmente espancado por policiais na noite anteior e acaba morrendo. Para esquentar ainda mais a situação, em meio a revolta, as drogas, a violência da polícia e de vários grupos étnicos, o explosivo Vinz consegue uma revólver carregado, o que pode ser o caminho para uma tragédia.

O diretor e ator Mathieu Kassovitz (Munique) acerta em cheio ao mostrar um cenário de exclusão, discriminação e violência a que são submetidos os imigrantes na França e a revolta que surge na criação de grupos que tentam defender seus pares na base da violência e da intolerância.

Apesar de ter sido produzido há quinze anos, o filme ainda continua extremamente atual e o tema preocupante. O trio principal dá força ao filme, todos com personagens marcantes de acordo com o contexto do filme.

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Informações úteis:
  • Texto por: Hugo Quilici
  • Titulo original do filme: La Haine
  • País: França
  • Ano: 1995
  • Duração: 98 min.
  • Gênero: Drama
  • Direção: Brian de Palma
  • Elenco: Vincent Cassel, Hubert Kounde, Said Taghmaoui, Abdel Ahmed Ghili, Solo.
  • Avaliação: 8,5
  • Texto postado também em: Cinema - Fimes e Seriados

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Missão: Impossível - dica

Muita correria, ação e culhudas na Obra da dupla Cruise & De Palma.


Por Hugo Quilici

Sinopse:


Numa missão em Praga, a equipe do agente secreto Ethan Hunt (Tom Cruise, de Jerry Maguire) cai numa emboscada e alguns agentes acabam morrendo. Sendo tratado como suspeito de ser o traidor, Ethan precisa descobrir quem planejou a armadilha e para isso procura ajuda de alguns agentes renegados, como Luther Stickwell (Ving Rhames de Pulp Fiction - Tempos de Violência) e a bela Claire Phelps (Emmanuelle Beart de Nathalie X) filha de seu superior na CIA, Jim Phelps (Jon Voight, de Fogo contra Fogo).

Opinião:

Muita correria, suspense como na famosa cena de Tom Cruise pendurado por fios sem poder tocar o chão e a alucinada e exagerada sequência final de uma perseguição com um helicóptero e um trem dentro de um túnel.

O filme é um grande acerto na carreira de Tom Cruise, parte pela ótima escolha de Brian DePalma (de Carrie, a estranha) na direção, que sabe como ninguém criar sequências de suspense e também pela história, ressuscitar a famosa série de sucesso dos anos sessenta era uma desafio que se bem feito renderia muito dinheiro e o caminho aberto para sequências. Duas já foram lançadas com sucesso e hoje está em pré-produção uma quarta aventura.

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Informações úteis:
  • Titulo original: Mission: Impossible
  • País: EUA
  • Ano: 1996
  • Duração: 98 min.
  • Gênero: Ação
  • Direção: Brian de Palma
  • Elenco: Tom Cruise, Jon Voight, Emmanuelle Beart, Henry Czerny, Ving Rhames, Jean Reno, Vanessa Redgrave, Emilio Estevez, Kristin Scott Thomas, Dale Dye, Marcel Iures.
  • Avaliação: 8
  • Texto postado também em: Cinema - Fimes e Seriados

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Predadores - crítica

Robert Rodriguez se atrasou 22 anos para nos trazer sua versão dos aliens rastafari, mas até que valeu a pena esperar todo esse tempo.


Feche os olhos. Transporte-se para 1987. Provavelmente você nem se lembre (eu também não lembrava, tive que recorrer ao Google mesmo) mas foi nesse ano que estreou Predador (Predator, 1987), um filme bacana de ação com efeitos meio toscos mas que trazia em seu papel principal o Mister cueca-apertadinha-enfiada-no-rêgo Arnold Schwarzenegger (de Exterminador do Futuro), aí já viu...

Com tanto sucesso uma seqüência era só uma questão de tempo mesmo. Em 1990 chegou as telonas Predador 2 (Predator 2, 1990) agora com o Grande Astro (com cara de Rapper/maloqueiro/engraçadinho aposentado) Danny Glover da cine franquia da década de 80 Máquina Mortífera (Lethal Weapon, 1987) - esse você se lembra por causa do Mel Gibson.

17 anos depois o meia boca Alien vs Predador (idem, 2004) nos matou a saudade do bichão de cabelo rasta e de quebra ainda o colocou diante de um outro alien de beleza similar – e teve uma seqüência igualmente ruim; Mas sinceramente, quem assistiu Predador (e gostou) sabe que uma seqüência digna nunca aconteceu – até agora. A seqüência, como nós imaginamos é Predadores (Predators, 2010) – tudo bem que se atrasou 22 anos até estrear. Mas convenhamos, valeu a pena esperar.

Agora abra os olhos e me diga aê você, quem no mundo das celebridades gringas teria reais possibilidades de fazer frente aos aliens mais estilosos do universo?

  • 1 (_) Jack Bauer (o cara que sempre resolve tudo em 24 horas)
  • 2 (_) Adrian Brody (o cara mais magrelo da lista)
  • 3 (_) Frank Castle (o cara que mata mais que o rambo)
  • 4 (_) Sylvester Stallone (o cara da boca torta)
  • 5 (_) Chuck Norris (“o cara”)

Bem, se você escolheu a opção 2 então acertou em cheio, pois se Adrian Brody (o pianista) já peitou até o King Kong, não seria um alienzinho de cabelo trançado que iria por medo no magrelo.

Pequenos detalhes Grandes diferenças.

No filme, Brody encarna Royce, um mercenário daqueles que venderia tranquilamente até a mãe por uns trocadinhos; ele lidera uma elite de malucos do tipo “espírito de porco” (assassinos, mercenários, mafiosos, presidiários, membros de esquadrões da morte e outros desse naipe) que descobre ter sido arremessado num outro planeta para servir de caça aos personagens que dão nome ao filme.

Do ponto de vista da história, Predadores oferece uma diferença (que faz toda diferença) com relação ao filme original. Em 87 os companheiros do eterno Mister Universo Shwarzenegger (eita nome difícil da porra) eram presas fáceis nas mãos dos caçadores mascarados e tivemos a alegria de vê-los morrer horrívelmente chorando por misericórdia – não me chame de sádico, por favor. Aqui os caçados são todos “cobras criadas”, estão armados até os dentes e possuem toda a técnica necessária para avaliar sua situação e desenvolverem estratégias de combate. Isto, naturalmente, não impede ninguém de morrer – até porque se evitasse o filme seria uma merda, afinal o público quer ver é sangue mesmo.

Quanto a parte visual da parada, não é muita surpresa que os efeitos tenham sido atualizados. No original, os aliens pareciam umas bibas vestidas em fantasias de escola de samba. Em Predadores, a camuflagem, a mira laser, o gancho e a forma como os grandões olham e movem-se é muito mais realista, bem selvagem mesmo. O único problema é que leva quase metade do filme (uns 50 minutos) até aparecer o primeiro bichão, aja unha pra roer. Mas quando enfim aparecem, as lutas são viscerais e muito melhor coreografadas com relação ao original da década de 80.

Rasgação de seda à parte, Brody é o tempero que faltava na trama. E não é só por ter aumentado as medidas, ganhado uns músculos e melhorado sua cara de macho; o cara traz uma inteligência bacana para o líder do bando – tipo vilão europeu, saca? Já o restante dos merdas de sua equipe, são descartáveis mas servem para manter a trama (que não é lá essas coisas mesmo) e a ação se movendo bem – apesar de a presença de Laurence Fishburne (de Matrix) ter sido uma surpresa bem agradável.

Para aparar as arestas, a sensação que Predadores passa é que a intenção era mesmo parecer algo bem feito, algo pensado. Das paisagens exóticas à ansiedade gerada (propositalmente) pelos minutos sem a presença dos Predadores colocam o público em sintonia com a bagaça e nos mantém nessa sintonia até o fim. Mas não se engane, isso não significa que o filme seja “o filme” nem que seja lá grande coisa. Qualquer um ao assistir Predadores obterá dele apenas o básico pelo que pagou para ver um filme de ação com alienígenas carniceiros – isto é, tiros pra todos os lados, visceras à mostra e sangue, muito sangue. Nada mais.

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Informações úteis:

  • Titulo original: Predators
  • País: EUA
  • Ano: 2010
  • Duração: 98 min.
  • Gênero: Ação / Ficção
  • Direção: Ninród Antal
  • Elenco: Adrian Arody, Alice Braga, Thoper Grace
  • Avaliação: 3 (ok)
Informações (in)útéis
Sobre o filme:
  • Quando vi? 17/07/2010
  • Com quem?
  • Quantas vezes? Uma vez
  • O que senti? Pow, foi bom ver novamente um filme bacana com o Alien Rasta.
Sobre o texto:
  • Quando escrevi? 18/07/2010
  • Onde estava? Em casa
  • O que escutava? MV Bill - Falcão
  • O que ingeria? Nada
Trailer oficial:



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sempre ao seu lado - crítica

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Sempre ao seu lado
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Para começar, vamos voltar a tarde de 30/01/2010 (mais conhecido como Sábado passado) quando ao abrir este blog que você está lendo, notei que um certo filme (Sempre ao seu lado, uma produção totalmente despretensiosa que eu imaginei que seria esmagado nas votações por Abraços partidos de Almodóvar) havia sido eleito como "Crítica da semana" e por unanimidade diga-se de passagem. Uma coisa era certa: Vocês queriam muito saber o que eu achei desse filme...
Confesso que este era um dos poucos motivos que me fariam ir ver um filme desse tipo - A exemplo de "O mistério de Feiurinha". Convenhamos que sentar-se numa sala de projeção para assistir um longa estrelado por um ator galã em decadência – numa época em que os vilões ganham mais destaque que os próprios heróis, Richard Gere parece não arrancar mais suspiros do público feminino - e onde provavelmente o maior dos atrativos seria um cãozinho bonito fazendo cara de triste, não é nada que agrade muito a qualquer marmanjo. Junte a isso a insípida Joan Allen (da trilogia Bourne) bata tudo num liquidificador com defeito, arremesse tudo num drama e você terá então todos os motivos - para não ir ver. Antes que comecem a me chamar de insensível ou algo do tipo eu confesso que também fui arrebatado pela narrativa densa da produção logo nos primeiros minutos. Lembro-me de uma amiga que sempre dizia ao ir assistir a esse tipo de filme – com animais: “Eu vou chorar” – dizia ela; curiosamente a mesma frase que cotidianamente escuto da linda boquinha de minha filha - de 4 anos - sempre que está prestes a me fazer algum tipo de chantagem emocional; isso me serve como pontapé inicial para esse texto. Prontos? Então vamos chorar!

És machão? Então resista a tentação.

Desde
o princípio o Longa dirigido pelo sueco Lasse Hallström (Regras da vida, 1999) mostra que ali existe um monte de cenas que mais cedo ou mais tarde farão qualquer pessoa desobstruir os dutos lacrimais durante a exibição. E ele o faz com maestria, ao basear seu filme no blockbuster japonês de 1987 Hachiko Monogatari (que não consegui encontrar na net para assistir) optou por adaptar geograficamente seu projeto rodando-o na cidade americana de Rhode Island, atualizou a história, mas manteve a idéia básica de um Akita (raça canina oriental que tem como principal característica a lealdade) que atinge um vínculo afetivo quase transcendental com seu dono, um professor de música.
A verdadeira história (que inspirou o longa japonês) ambientou-se em Tóquio por volta em 1924 e é um emocionante conto local famoso de um cão pertencente ao professor Uyeno. Um dia o cão cumprimentou seu mestre perto da estação de Shibuya e não mais o viu - Uyeno sofreu um derrame e veio a óbito em decorrência disso - não mais voltou; o cachorro Hachiko entretanto, continuaria a ir para a est
ação todos os dias pelos próximos dez anos, em vigília, na esperança de que um dia de seu dono/amigo voltasse.
O animal se tornou uma sensação nacional e, teve inclusive uma matéria publicada no maior jornal de Tóquio, relatando sua lealdade notável. Em 1934 uma estátua de bronze foi erguida defronte a estação de Shibuya como uma homenagem à sua permanente devoção.

Sobre homens e cães...

O fil
me conta a história do Professor Wilson Parker (Richard Gere) que numa noite, quando retorna do trabalho, encontra um lindo cãozinho perdido na estação ferroviária. Sua esposa Cate (Joan Allen) a contragosto, aceita a criatura indefesa em seu lar. A etiqueta com o nome no colarinho do cão diz “Hachiko”. Ken – amigo do professor (Cary-Hiroyuki Tagawa) explica: "Hachi", o número oito, simboliza boa sorte. Hachiko está feliz e cresce na família, mas sua ligação maior é com o professor, e o acompanha em sua rotina diária para a estação de trem na manhã, e na fidelidade à sua espera nas noites. A história entra em seu ápice quando Parker entra subitamente em colapso durante uma apresentação... A partir daí Hachiko passa a ir todos os dias ao mesmo local em vão. Faça chuva ou faça sol (ou neve) - ele se senta à espera de seu dono. Logo o animal cativa todos ao seu redor que começam a cumprimentá-lo, dar-lhe comida - todos são tocados pela sua lealdade.
A história é de fato muito emocionante; (até por se tratar de algo que realmente ocorreu) a conexão entre Parker e Hachi é algo que nos motiva a continuar indo em frente num filme que tinha tudo para ser abandonado nos primeiros 30 minutos – isso não irá acontecer com ninguém, acho. Sempre ao seu Lado não tem pretensão em se tornar uma referência em seu gênero, e nessa humildade, torna-se um filme eficiente e preciso; mas o trabalho de Hallström está longe (talvez não muito, mas está) de ser uma grande obra do gênero. Este remake peca em muitos aspectos principalmente ao deixar muitas pontas soltas; cenas que não fazem sentido ou mesmo os diálogos fracos. Os personagens são bastante superficiais – talvez esse seja o principal motivo pelo qual Gere e Allen consigam ser tão convincentes e dignos em seus papéis. No mais não há muito terreno para se trabalhar - na verdade, não há mais que 5 linhas redigidas numa página meio A4 nesse enredo - mas vai te tocar da mesma forma.

A medida exata da pieguice.

Aque
les que conhecem a história vão perceber que o longa ganhou um ritmo mais lerdo, mas é eficaz ainda assim, porque consegue equilibrar discretamente os pontos fortes e fracos; e Hachi, - interpretado por três cães - é sem dúvida o ponto mais forte daqui. Se o filme não é nenhuma obra-prima, não é problema; o que realmente importa afinal de contas é se as pessoas são capazes de se relacionar e se conectar com a obra; se o filme é competente no gênero ou universo a que pertence, e nesse quesito a história conta com o jovem cão - que é adorável, e conforme ele cresce, olha para você com os olhos tristes de forma convincente - até mais que os seus colegas de elenco.
O sucesso de Sempre ao seu lado pode até não coincidir com o desempenho do filme, mas parece certo ganhar audiência entre as famílias de nosso país – em sua estréia, recentemente, sons de "sniff"permearam a grande sala de projeção. Assista; traga os seus filhos/afilhados/sobrinhos/netos/irmãos menores, divirta-se e... não se esqueça dos lenços, por favor.

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Se você gostou desse filme:
Assista:
  • Marley e Eu (Marley & Me, 2008)
Evite:
  • Beethoven - o magnífico (Beethoven's, 1992)
  • Beethoven II (Beethoven's - 2nd, 1993)
  • Beethoven III - Uma família em apuros (Beethoven's - 3rd, 2000)
  • Beethoven IV (Beethoven's - 4th, 2001)
  • Beethoven V (Beethoven's - 5th, 2003)
  • Beethoven VI - Beethonven em Hollywood (Beethoven's Big Break, 2008)
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Informações úteis

  • Titulo original: Hachiko - a dog's history
  • País: EUA
  • Ano: 2009
  • Duração: 97 min.
  • Gênero: Drama
  • Direção: Lasse Hallström
  • Elenco: Joan Allen, Richard Gere, Sarah Roemer, Jason Alexander, Cary-Hiroyuki Tagawa, Erick Avari, Davenia McFadden
  • Avaliação: 4 (bom)
  • Trilha sonora: Download aqui
  • Filme completo: Download aqui
Informações (in)útéis
Sobre o filme:
  • Quando vi? 05/01/2010
  • Com quem?
  • Quantas vezes? 2
  • O que senti? A verdade é que poucos filme me emocionaram tanto...
Sobre o texto:
  • Quando escrevi? 30/01/2010
  • Onde estava? Parque metropolitano de Pituaçú
  • O que escutava? Haggard - Awaking the centuries
  • O que ingeria? Coca geladíssima
Outras críticas:
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Trailer oficial:



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Agente 86


Nunca um cover fez tanto sucesso

Sempre que surge uma nova adaptação nas telonas todos estremecem – afinal todos sabemos que a maioria delas serve apenas para nos lembrar o quanto que os cineastas atuais são medíocres (com muitas excessões, é verdade. Ainda bem).

O seriado Agente 86 (Get smart, 1960) foi criado no auge da guerra fria por Mel Brooks e tinha como objetivo satirizar os filmes de espionagem (apesar de não existir muitas opções do gênero naquela época além de 007).
Mesmo tendo nascido duas décadas depois aprendi a gostar do atrapalhado agente e da forma como resolvia seus “problemas” – uma mistura de MacGyver com Houdini?
A cultuada série da época era recheada com todos os clichês que nos fazem rir mesmo nos filmes mais sérios, técnicos e sofisticados… Prato cheio pra quaquer diretor de comédia contemporâneo. Ainda assim quase meio século depois ninguém imaginava (eu acho) que algo tão datado ainda poderia fazer algum tipo de sucesso no mercado atual, mas Steve Carrell interpretando o agente secreto mais atrapalhado de todos os tempos nos provou o contrário; a sua versão de Maxwell Stuart – interpretado por Don Addams na série original – não podia ser apenas uma cópia da atuação de Don (o agente da série original se utilizava dos recursos de 50 anos atras e obviamente não despertaria nenhum tipo de interesse nos dias atuais) e aí que começamos a notar o grande trunfo do filme: Carrell.
Steve Carrell cria um novo agente 86 com expressões (ou a ausência delas) próprias e mais que isso; uma personalidade própria… Muitas vezes lembrado apenas como “o cara que imita Jim Carrey” (por se utilizar das caretas e de um humor mais rasgado, ácido diria) Carrell aqui mostra seu “cinto de utilidades” cheio de opções e prova que não precisa de mais que um movimento de sombrancelhas para nos fazer rir; e muito – a cena da zarabatana lembra os engraçadíssimos Top gang - ases muito loucos (top gang, 1991) com Charlie Sheen, bons tempos.

Imito sim, e daí?


O filme c
onta a história de um analista da organização secreta C.O.N.T.R.O.L.E. Maxwell Smart, (Carrell) que sonha se tornar um agente de campo mesmo após inúmeras reprovações nos testes para a função. Quando a sede da agência de espionagem americana é atacada e a identidade de seus agentes fica exposta o Chefe não tem outra saída a não ser promover Maxwell Smart, que sempre sonhou trabalhar em campo ao lado do alto, bonito, elegante, “inteligente”, famoso, musculoso, simpático e até boa gente Agente 23 (the rock).
Maxwell smart recebe então sua mais perigosa e importante (além de ser a primeira, claro) missão: impedir que a organização criminosa secreta conhecida como K.A.O.S. coloque em prática seu mais novo plano para dominar o mundo – no melhor estilo Pink e Cérebro.
Smart, no entanto, é forçado a trabalhar com a única agente cuja identidade não foi revelada: a veterana Agente 99 (Anne Hathaway). À medida que 86 e 99 vão desvendando o emaranhado de intenções malignas da K.A.O.S. - e um ao outro - eles descobrem que um dos principais artífices da organização, Siegfried, e seu ajudante Shtarker planejam lucrar com ameaças de colocar em ação sua rede de terror - com isso só faltou mesmo um Martini, uma bela mulher morta em uma cama após uma noite de sexo, um Aston Martin destruído e uma apresentação do tipo: “meu nome é Bond”… Pronto; teríamos um roteiro perfeito para outro personagem do gênero.

Apesar da pouca (muito pouca) experiência e do reduzido (muito reduzido) tempo de que dispõe, Smart arma-se com suas geringonças tecnológicas típicas de espionagem, dos clichês indispensáveis (seguranças que sempre estão de costas para as câmeras de circuito interno, passagens secretas nos locais mais improváveis, perseguições que desafiam as leis da física, mini-engenhocas com multifunções, invasões solo em locais que nem meia dúzia de superman conseguiriam entrar, além de uma trama baseada em fatos estapafúrdios e improváveis que findam sempre numa solução harmônica e fluente - digna de um felizes para sempre dos conhecidos contosinfantis) e de seu entusiasmo inabalável para derrotar a K.A.O.S. e se estabelecer de fato como um agente de campo.

As referências aos filmes do espião inglês 007 não param por aí e vão desde a detruição dos carros (nem sempre de luxo) passando por uma clara referência a 007 – contra o foguete da morte (007 – moonraker, 1979), as cantadas de mal gosto como a da cena do avião em que Smart diz a sua mais nova parceira: “temos algo em comum afinal, não gostamos do que vemos no espelho: você fez plástica e eu emagreci”; até o desfecho quando escuta-se (não tão discretamente) um trecho da famosa trilha sonora criada por Monty Norman para o personagem do escritor britânico Ian Fleming.

O Diretor Peter Segal (Como Se Fosse a Primeira Vez e Tratamento de Choque) acerta ao imitar/conservar muitas das idéias da série. O clássico sapato-fone ganha uma pontinha; o engraçadíssimo e ineficiente “cone de silêncio” - sempre utilizado quando Max e o Chefe conversavam algo secreto, no seriado original; as mãos falsas, úteis quando Max era algemado, entre outras. Ao lado deles, os colegas da Agência.

Antes mal acompanhado que só.

A parceira 99, talvez o único ser da agencia C.O.N.T.R.O.L.E. capaz de compreender as idéias mirabolantes de Max é bem retratada pela atriz Anne Hathaway (O Diabo Veste Prada e O Segredo de Brokeback Mountain), assim como o paternal e paciente Chefe, agora vivido pelo ator Alan Arkin. Fazendo uma pontinha, Bill Murray aparece como o Agente 13, - personagem que sempre surgia nos locais mais improváveis no seriado - hilário. Mas há ainda “The Rock” vivendo o Agente 23 e a dupla de gênios Bruce (Masi Oka) e Lloyd (Nate Torrence).

Também estão lá, Terence Stamp na pele de Siegfried, o temido chefe da K.A.O.S. e seu braço direito, Shtarker, interpretado pelo competente Ken Davitian, completam o time.

86…

Agente 86 conta a história de como Maxwell Smart tornou-se um agente.
As piadas são inteligentes e completam o contexo, o roteiro enxuto e as sequências de ação dinâmicas. Para os novatos que nunca assistiram ao seriado, o roteiro explica os motivos que levaram a C.O.N.T.R.O.L.E. a promover seu analista de sistema a um agente secreto; para os veteranos acima dos 50 uma divertida sensação de deja-vù e o sentimento de que logo logo veremos uma continuação do tipo: 86 – os diamantes que não brilham ou 86 – golden ass.
Aguardaremos ansiosos.

Agente 86 - Ficha técnica
  • Título original: Get Smart
  • País: EUA
  • Ano: 2008
  • Duração: 110 min.
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Peter Segal
  • Roteiro: Tom J. Astle e Matt Ember
  • Elenco: Steve Carell, Anne Hathaway, Dwayne "The Rock" Johnson, Alan Arkin, Terence Stamp, Masi Oka, Dalip Singh, Bill Murray
  • Avaliação: 7,0
Download: http://www.megaupload.com/?d=NR17DGLJ

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O mistério de Feiurinha | crítica

Xuxa está de volta com seu “circo dos horrores”

Em 1983 eu não tinha nascido ainda e não pude presenciar o início da carreira cinematográfica da loura com o “O trapalhão na Arca de Noé”. Nada demais se levarmos em consideração que no próximo ano viria mais um, e no ano seguinte também e na sequencia idem... Essa maldição no pior estilo O grito (The grudge, 2004) nos persegue sem qualquer piedade e nos causa sustos terríveis todos os finais de ano.

O tal filme ao qual eu me referi acabou levando mais de 2 milhões de pessoas aos cinemas, (numa época em que o cinema nacional vivia numa espécie de UTI do mercado) e como a maldição do filme mencionado acima, não parou de crescer.

O mágico de Oróz (1984), O reino da fantasia (1985), o sofrível Super Xuxa contra Baixo astral (1988) e A princesa Xuxa e os trapalhões (1989)... Nenhum deles poderia nos preparar para o que estava por vir, era uma espécie de clímax... Lua de Cristal estreou no final de 1990 e levou mais de 5 milhões de pessoas aos cinemas – não me pergunte como.

Quase dez anos se passaram sem nenhuma aberração cinematográfica da loura e todos já viviam comodamente, sem suas vidas serem afetadas por essas piadas de mal gosto – parecia enfim que a Maria da Graça (não confundir com dês graça) havia notado: sua vocação não era o cinema – e o que seria então?

Em 1999 o pálido 007 – O mundo não é o bastante (the world is not enough) tinha seu brilho ofuscado pelo inovador A Bruxa de Blair (the Blair witch project); num ano que pudemos presenciar ainda a bela parceria entre Sam Mendes e Kevin Spacey em Beleza americana (American beauty), o divertidíssimo American Pie (idem), o excêntrico A tempestade do século (the Century storn) de Stephen King e aquele que se tornaria o novo clássico do cinema moderno: Matrix (idem); eis que aparece um nome que faria até o Chuck Nórris tremer: Xuxa requebra – ela estava de volta... E continuou ano após ano nos perseguindo com suas “obras”. De 1999 até a data atual foi um “filme” a cada final de ano e cá estamos nós. Felizmente os seres humanos da década de 90 em diante provaram ser inteligentes, aprendendo com os erros da década passada e os filmes da loura tem caído vertiginosamente anos após ano – o último: Sonho de menina não alcançou nem os 200 mil espectadores...

Aperte os cintos, o piloto sumiu

Em 2009 Xuxa volta com seu mais novo circo de horrores: O mistério de Feiurinha (idem). Como neste momento em que escrevo, o longa ainda esta em cartaz, tendo estreado à poucos dias, não posso dar números exatos sobre o retorno financeiro do filme. Mas posso dizer o que vi e o que ouvi – não de adultos, que assumidamente não vêem mais nenhuma graça na Rainha e sim de seus “fãs” e a opinião dos baixinhos não é tão diferente da nossa, acredite. Xuxa parece que hoje vive no tal mundo da imaginação que deu título a mais um programa da loura que também não vingou... O mistério de Feiurinha é apenas o reflexo disso: Texto sem sentido, direção fraca, atuações que beiram o ridículo, edição de quinta categoria, ação tão pálida quanto os fantasmas das animações do Sooby doo e uma trilha sonora análoga à dos antigos games do Atari, nos fazem pensar: O que estamos fazendo nesta sala?

Ao pé da letra

O que acontece com as princesas e seus príncipes depois do ''viveram felizes para sempre''? As princesas têm filhos, sogra, cunhadas. Os príncipes engordaram. Os casais têm conflitos matrimoniais, mas continuam felizes. Entretanto, prestes a completar bodas de prata, Cinderela, Rapunzel, Branca de Neve, Bela (da Fera), Bela Adormecida e Chapeuzinho Vermelho estão ameaçadas de desaparecer, depois que a princesa Feiurinha sumiu misteriosamente do mundo encantado e ninguém se lembra da história dela. Para salvar o reino e continuarem sendo felizes para sempre, elas embarcam numa aventura “emocionante” para encontrar Feiurinha. Fadas, bruxas, príncipes, encantos e feitiços se misturam nessa fábula surpreendente, repleta de magia e diversão.

Fiz questão de apenas copiar e colar a sinopse oficial apenas para mostrar que o roteiro nem é tão ruim, acredito inclusive que seria bom entretenimento se fosse conduzido por outra equipe e sem a Xuxa no papel principal, claro. O que mais posso falar além do que já se mostra bem claro? Não é novidade pra ninguém que a única intenção dos filmes da tal Rainha dos baixinhos é apenas montar uma passarela por onde os seus amigos famosos (cantores, apresentadores, atores do tipo “modinha”, ex namorados e por aí vai) possam passear sem nenhum compromisso. Nesse caso em especial havia a necessidade de “apresentar” a sua cria nas telonas. Chega a ser constrangedor todo o esforço por parte de todos para encobrir a falta de talento da menina e durante cerca de 90 min a equipe de Yamazake questiona o intelecto de nossas crianças e consome toda a paciência dos adultos.

Até quando?

Iniciei meu texto fazendo algumas comparações entre O mistério de Feiurinha e a série de filmes de horror japonês O grito. Entretanto poderia comparar com quaisquer outros títulos igualmente horrendos – não por se tratar de um filme de terror mas por se tratar de um filme assustadoramente ruim. Resta aos pais tentar mentir para seus filhos dizendo que eles não verão mais aquele tipo de coisa nos cinemas – mentira, pois sabemos que em 2010 a maldição estará de volta com algum outro nome tipo: Xuxa no planeta Xuxecho ou Xuxinha contra os monstros mau humorados, sei lá. Dessa turma podemos esperar qualquer coisa e a única forma de nos livrarmos dessa perseguição sádica é mostrar nas bilheterias que nós não queremos mais esses “presentes de grego” nos nossos natais. Contamos com vocês.

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| Invasão do mundo: Batalha de L.A. | Bruna Surfistinha |
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Batman, O cavaleiro das trevas - crítica

Why so Serious?


O texto que estava presente em toda a campanha de marketing de Batman – O cavaleiro das trevas (Batman – The Dark Knights, 2008) já parecia muito conveniente por dar ênfase na contrapart
e do homem morcego mas confesso que tremi na cadeira quando escutei na voz de Health Ledger - acho que faria tremer até o mesmo personagem interperetado por Nicholson em Batman – o filme...

Porquê tão sério?


Pergunta interessante afinal se levarmos em consideração os seguidos fiascos que Wayne e seu mordomo enfrentaram ao longo do tempo. Todos foram grandes piadas.
Desde 89 com um caríssimo elenco e com a profundidade de dois dedos d’água, Batman – o filme do até então desconhecido Tim Burton trouxe um Batman totalmente diferente de tudo o que havia sido feito até então; parecia promissor quando disseram que seria baseado em um dos “livros sagrados” do homem morcego (me refiro a graphic novel Batman – O cavaleiro das trevas de Frank Miller publicado 4 anos antes). Porém quando o longa estreou não foi isso que os presentes nas salas de projeção viram.

3 anos depois chega aos cinemas Burton – o retorno! Ops quis dizer Batman - o retorno (Batman Returns, 1992), agora sim. Desta vez parecia que a coisa ia dar certo! Os cenários mais bem acabados e a fotografia mais sombria mostrava que o diretor tinha aceitado algumas sugestões dos produtores - e dos fãs, claro. Digamos que graças a isso, o “retorno” do Batman é menos ruim que o filme anterior. Burton desistiu também de tentar acompanhar o ritmo de Miller (intelectualmente impossível para ele) e decidiu basear o longa num capítulo igualmente horrível da telessérie do morcegão dos anos 60 - haja paciência!

Mais 3 anos se passam e eis que se apresenta o próximo palhaço da fila – e não estou falando do novo ator que iria interpretar o coringa. Com vocês o estadosunidense Joel Schumacher com seu “colorido” Batman Eternamente (Batman Forever, 1995). Schumacher tinha mais bagagem que o seu predecessor é verdade; já tinha assinado a direção de pelo menos 11 títulos entre eles os interessantes “Os garotos perdidos” (The lost boys, 1987) e “Um dia de fúria” (Falling down, 1993). Mas, mais uma vez um investimento inacreditável igualado apenas pelo também inacreditável fracasso. E o pior, Schumacher conseguiu a façanha de ser menos eficiente que seu compatriota. Que papelão...
Como se não bastasse o festival de horrores conduzido pelo moço, alguém teve a coragem de entrega-lo a missão de mais uma vez (assim como Burton) tentar. Sem com
entários...
Em 97 a presepada de Schumacher chegas as telonas: Batman & Robin (Batman & Robin, 1997) surpreendeu a todos por mostrar que era possível sim fazer algo pior que Batman Eternamente e a impressão é que Schumacher conseguiu enfim estender o seu show de fanfarronices. Me perdoem, mas não tenho saco p/ escrever nada a respeito desta catástrofe.


Nolan e a Nova Era


Quase uma década depois todos tínhamos a obrigação de ir ver o novo Batman. Esse já tinha começado bem a partir do título: Batman Begins (Batman Begins, 2005). A intenção era mesmo colocar o passado da cinessérie numa enorme caixa e arremessá-la num lugar bem escondido da Bat-caverna. Agora o controle estava nas mãos de Christopher Nolan, cineasta que já tinha ganho alguma credibilidade ao dar vida aos ótimos Amnésia (memento, 2000) e insônia (insonia, 2002) mas ainda assim a “maldição do morcegão” não saía de minha cabeça. Afinal é muito difícil mesmo conseguir mostrar nos cinemas o que só os quadrinhos conseguiam. Bem, e havia mais um agravante: Nolan sempre declarou não ser leitor de quadrinhos... Nessa hora nós poderíamos pensar como o Capitão Nascimento e falar em alto bom som: VAI DAR MERDA CAPITÃO!
Então o Nolan novamente nos surpreende mas desta vez positivamente afinal, fez exatamente o que queria fazer o Burton. Deu vida a um livro sagrado do homem morcego; mais precisamente "Batman – Ano 1", mas também se utilizou de outras obras consagradas do herói. O resultado foi inacreditavelmente bom!

Esqueça então todos os equívocos dos outros títulos: as cenas sofríveis de ação protagonizadas por Michael Keaton em Batman – o filme, ou a adaptação inescrupulosa de Batman – O retorno. Esqueça também o ensaio carnavalesco dividido em duas partes de Schumacher em Batman eternamente e Batman & Robin. Agora enfim parecia que as coisas iam dar certo para o tão atormentado filho de Gotham.


"A supremacia Batman"


O filme acerta em tudo, e falar dele é chover no molhado. O longa beira a perfeição se colocando na posição de um dos melhores filmes policiais de todos os tempos. Palmas para o Nolan então. Em 2008 (mais precisamente 18/07/2008) estreou a continuação de Batman Begins com uma missão ainda maior: a de superar seu predecessor. E como isso era quase impossível, muitos duvidaram. Eu não. E a espera valeu a pena. Batman – O cavaleiro das trevas (Batman – The dark knight, 2008) supera sim Batman Begins e vai além. Eleva o padrão que o próprio Nolan havia estabelecido e nos faz delirar. Interessante pensar que um filme de mais de 150 minutos nos prenda dessa forma... O Batman interpretado por Bale agora muito mais desenvolvido, nos conduz numa trama hora aterrorizante, hora dramática, hora pirotécnica; e acredite, tudo isso na mais perfeita sintonia. Parece até uma piada – mas não as do coringa, claro. No filme, Wayne agora está muito mais maduro e sabe de suas capacidades algo do tipo Neo em Matrix Reloaded, entende? A Gotham que vimos antes também não é mais a mesma, agora os cidadãos depositam as suas esperanças no cavaleiro das trevas e no novo aliado, o promotor de justiça Harvey Dent (Aaron Eckhart). Mas tudo tem seu preço e Batman começa a despertar o que há de mais excêntrico nos habitantes do local: seja os que se fantasiam de morcego para plagiar os atos de bravura do moço ou os que querem apenas ver o “circo pegar fogo” como é o caso do coringa claro. E nesse filme não temos apenas mais um coringa e sim “o coringa”. Health Ledger está magnífico no papel do maquiado piadista, rouba a cena a todo momento. Ledger parece mesmo ter entendido a psique doentia do homem que se esconde por trás da maquiagem, é certamente um dos melhores trabalhos do ator que encerrou sua carreira realmente com chave de ouro, sem puxa-saquismos. O gerenciamento de personagens que causou tantos problemas nos outros filmes aqui está perfeito, o elenco é extraordinário até na substituição da incompetente Katie Holmes pela convincente Maggie Gyllenhaal. De resto é o mesmo elenco forte do filme anterior. Pensa que acabou? Que nada. O final nos guarda uma surpresa, um desfecho com a cara de Nolan.


Batman, o cavaleiro das trevas - ficha técnica

  • Título original: Batman - the dark nights
  • País: EUA
  • Ano: 2008
  • Duração: 152 min.
  • Gênero: Ação / Aventura
  • Direção: Christopher Nolan
  • Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Gary Oldman, Maggie Gyllenhaal e Michael Caine
  • Avaliação: 9,0