sábado, 6 de novembro de 2010

O ódio - dica

Exclusão, dicriminação e violência numa só forma de arte. Não, não é nenhuma letra de rap...


O filme acompanha um dia na vida de três jovens que vivem num conjunto habitacional de classe baixa em Paris. O judeu Vinz (Vincent Cassel, de Irreversível) é o mais revoltado e menos inteligente, tenta resolver tudo na base da violência, o árabe Said (Said Taghmaoui, de G.I. Joe - A origem de Cobra) deseja conseguir uma namorada e tem extrema preocupação quanto ao seu futuro e o negro Hubert (Hubert Kounde, de O jardineiro Fiel) é o mais maduro, que acredita na paz e extravasa sua raiva na prática do boxe.

Estes três jovens praticamente excluídos da sociedade, se revoltam quando um amigo árabe, Abdel (Abdel Ahmed Ghili) é brutalmente espancado por policiais na noite anteior e acaba morrendo. Para esquentar ainda mais a situação, em meio a revolta, as drogas, a violência da polícia e de vários grupos étnicos, o explosivo Vinz consegue uma revólver carregado, o que pode ser o caminho para uma tragédia.

O diretor e ator Mathieu Kassovitz (Munique) acerta em cheio ao mostrar um cenário de exclusão, discriminação e violência a que são submetidos os imigrantes na França e a revolta que surge na criação de grupos que tentam defender seus pares na base da violência e da intolerância.

Apesar de ter sido produzido há quinze anos, o filme ainda continua extremamente atual e o tema preocupante. O trio principal dá força ao filme, todos com personagens marcantes de acordo com o contexto do filme.

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Informações úteis:
  • Texto por: Hugo Quilici
  • Titulo original do filme: La Haine
  • País: França
  • Ano: 1995
  • Duração: 98 min.
  • Gênero: Drama
  • Direção: Brian de Palma
  • Elenco: Vincent Cassel, Hubert Kounde, Said Taghmaoui, Abdel Ahmed Ghili, Solo.
  • Avaliação: 8,5
  • Texto postado também em: Cinema - Fimes e Seriados

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MV Bill, Causa e Efeito - crítica

Novo álbum do rapper é um mix de filosofia do gueto e putaria sofisticada.

Por Willian Rof

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Mal a cantoria começa e na faixa O Bonde Não Para, MV Bill já anuncia: “Ocupar vários espaços é o nosso plano de paz” – e o cara é determinado, tenha medo... Tudo bem que o novo trabalho do moreno é bem “mais do mesmo” – típico manifesto de rappers negões que tentam ostensivamente causar revolução social e unir a periferia ao “mundo externo”; mas vamos combinar o cara manda bem mesmo, e o negão mais correria do Rap brazuca não é daqueles que fica só de conversinha; MV Bill cria e executa ações na famosa Cidade de Deus, já teve participação especial em três livros e faz um verdadeiro “corre” para divulgar as suas idéias.

O cara que ja tinha levantado a bandagem e mostrado a carne podre que existia ali por baixo, mostrou em Causa e Efeito uma virtude a mais – algo do tipo, compre 1 e leve 2; não que seja uma novidade pois esse ja era o foco desde o último DVD do mano - aliás, rimas violentas precisam mesmo de um certo requinte nos arranjos para serem notadas por um número maior de pessoas, ponto pro Bill. Este foi o caso também de Falcão – o bagulho é doido (acho que foi o álbum com maior repercussão do músico) que já misturava geral os ritmos e tentava falar o maior número de “idiomas” possível.

Meu nome é Bill


É importante que se diga, que a incorporação de outros gêneros musicais não mudou o peso das letras nem a forma como são abordadas – a língua mais afiada da música brasileira ainda é dele, como podemos perceber na faixa Mulheres as perolas: “Cada mãe sabe a dor que sente, quando vê o filho sendo queimado como indigente”, ou “ausência do amor com a presença do dinheiro, faz a mãe levar a filha junto pro puteiro".

Na música Liberte-se, uma pequena surpresa: um pedacinho de Fumando Espero, na voz de Dalva de Oliveira; adiante, o Bill mete suas rimas como de costume... A batidinha gostosa é um aquecimento para a próxima faixa que é uma cacetada na mente dos seus parceiros de rap: Transformação tem participação especial de Chuck D (Public Enemy); é um som que chega de sola com uns toquezinhos lentos, meio deprê e recheada de crítica aos manos: “Ficaram parados no tempo, envaidecidos dividiram o movimento. Veja só o rap, virou o partido da cara feia, com grandes bonés, pequenas idéias, falso reinado, coroa de rei, castelo de areia”.

Causa e Efeito é forte e profundo. Não tira o pé pra ninguém e narra o cotidiano do morro como todo bom rap, mas não se esquece do que está se passando “do outro lado do muro”. Não importa se você curte Punk, Heavy, Gospel, axé ou Techno; MV Bill definitivamente descobriu a fórmula exata do som das multidões, aquele que te faz balançar e refletir ao mesmo tempo – talvez seja a tal batida perfeita que o D2 tanto procura... é um conjunto de esporros e agradecimentos no melhor estilo “entre tapas e beijos”, criticando violentamente tudo o que não faz bem a sua comunidade ou não lhe agrada quando quer dar os tapas; com relação aos "beijos", estamos falando de um álbum de rap e aqui ninguém agradece nada exatamente com beijos. Ora Mano...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Missão: Impossível - dica

Muita correria, ação e culhudas na Obra da dupla Cruise & De Palma.


Por Hugo Quilici

Sinopse:


Numa missão em Praga, a equipe do agente secreto Ethan Hunt (Tom Cruise, de Jerry Maguire) cai numa emboscada e alguns agentes acabam morrendo. Sendo tratado como suspeito de ser o traidor, Ethan precisa descobrir quem planejou a armadilha e para isso procura ajuda de alguns agentes renegados, como Luther Stickwell (Ving Rhames de Pulp Fiction - Tempos de Violência) e a bela Claire Phelps (Emmanuelle Beart de Nathalie X) filha de seu superior na CIA, Jim Phelps (Jon Voight, de Fogo contra Fogo).

Opinião:

Muita correria, suspense como na famosa cena de Tom Cruise pendurado por fios sem poder tocar o chão e a alucinada e exagerada sequência final de uma perseguição com um helicóptero e um trem dentro de um túnel.

O filme é um grande acerto na carreira de Tom Cruise, parte pela ótima escolha de Brian DePalma (de Carrie, a estranha) na direção, que sabe como ninguém criar sequências de suspense e também pela história, ressuscitar a famosa série de sucesso dos anos sessenta era uma desafio que se bem feito renderia muito dinheiro e o caminho aberto para sequências. Duas já foram lançadas com sucesso e hoje está em pré-produção uma quarta aventura.

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Informações úteis:
  • Titulo original: Mission: Impossible
  • País: EUA
  • Ano: 1996
  • Duração: 98 min.
  • Gênero: Ação
  • Direção: Brian de Palma
  • Elenco: Tom Cruise, Jon Voight, Emmanuelle Beart, Henry Czerny, Ving Rhames, Jean Reno, Vanessa Redgrave, Emilio Estevez, Kristin Scott Thomas, Dale Dye, Marcel Iures.
  • Avaliação: 8
  • Texto postado também em: Cinema - Fimes e Seriados

Feios - crítica

Sinopse que instiga e conteúdo que não cativa. Uma pena.


Sinopse:

Tally está prestes a completar 16 anos, e ela mal pode esperar. Não por sua carteira de motorista – mas para se tornar bonita. No mundo de Tally, seu aniversário de 16 anos traz uma operação que torna você de uma horripilante pessoa feia para uma maravilhosa pessoa linda e te leva para um paraíso de alta tecnologia onde seu único trabalho é se divertir muito. Em apenas algumas semanas Tally estará lá.

Mas a nova amiga de Tally, Shay, não tem certeza se ela quer ser bonita. Ela prefere arriscar sua vida do lado de fora. Quando ela foge, Tally aprende sobre um lado totalmente novo do mundo dos bonitos – que não é tão bonito assim. As autoridades oferecem a Tally sua pior escolha: encontrar sua amiga e a entregar, ou nunca se transformar em uma pessoa bonita. A escolha de Tally faz sua vida mudar pra sempre.

Crítica por Marina Moura:

Os livros de ficção científica e futurísticos quase nunca passam pela minha lista de livros a serem lidos. Porém esse gênero vem crescendo cada vez mais no mercado literário e eu não poderia me manter á margem dessa nova tendência.

A história se desenrola em um futuro onde todos os humanos são considerados feios até que completam dezesseis anos e sofrem a cirurgia que lhes transformará em seres “perfeitos”.

A premissa de Westerfeld é óbvia e sua crítica á sociedade visual que vivemos atualmente também. A sinopse é daquele tipo que deixa você louco para comprar o livro e a capa daquelas que você quer ter em sua estante de livros. O verdadeiro problema é que o livro não conseguiu me cativar.

Embora ache todo o ponto de vista do autor louvável, o plot do livro em sua essência não conseguiu prender minha atenção ou me causar verdadeira emoção durante a leitura. Primeiro que o livro demora a realmente começar. A leitura meio que se arrasta até o meio do livro e a única coisa que me fez continuar a leitura (e talvez aí esteja o grande trunfo do autor) é saber onde toda aquela confusão de informações iria acabar.

O livro só engrena mesmo no final. O romance durante a história é escasso e mal explorado, alguns autores deveriam se abster de tentar acrescentar algum romance em suas histórias.

A minha conclusão é que o livro poderia ter tido menos páginas e uma escrita mais objetiva. E eu definitivamente me decepcionei com o final, pois embora esteja ciente de que existe uma seqüência, acho difícil que esse final possa ser modificado nos próximos livros da série.

De qualquer forma não desistirei da série Feios ainda. Veremos como se sai o segundo livro da trilogia, Pretties (algo como Bonitos em inglês) e ver se dessa vez o autor consegue me entediar menos e me encantar mais.

Informações úteis

  • Titulo do Livro: Feios
  • Autor: Scott Westerfeld
  • Ano: 2010
  • Número de páginas: 416
  • Editora: Galera Record
  • Avaliação: 6
  • Texto postado também em: Minha vida por um livro

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fale com o motorista apenas o indispensável.

Bonatto em mais um texto falando da saga: O gremio contra todos!


Por Cristian Bonatto

Na véspera de mais uma decisão no Olímpico pela missão “Libertadores no lugar certo 2011” o que vemos de manchetes não é a repercussão do fato e muito menos algum chamamento para a torcida visando uma mobilização para o jogo contra o Ceará. O que se repercute é o que a imprensa gosta de repercutir, uma tentativa de antecipação do choque de gestões, idéias e visões que assistiremos logo ali adiante, esperando apenas que o próprio Grêmio não seja o mais prejudicado com revanchismos entre quem entra e quem sai.

Se existe uma vantagem nas eleições presidenciais não terem chegado ao associado, está no fato da disputa política e seus inevitáveis desgastes e incertezas terem passado longe do vestiário. Um exemplo da importância disto está no próprio Grêmio, quando era líder do Brasileirão até a proximidade das eleições 2008.

Os telefonemas, microfones e flashes da imprensa continuarão sendo oferecidos à exaustão para qualquer dirigente gremista daqui a um mês e meio, não custa esperar. Gostamos muito de saber que já estão trabalhando pelo Grêmio do ano que vem, mas no momento, este é um trabalho de gabinetes, que deve ficar neles. Uma das maiores qualidades do Odone é o chamamento à torcida, este também é um papel seu que não precisa ficar para o ano que vem. 2011 JÁ ESTÁ SENDO JOGADO.

Contra o Ceará, está a chance de se desvencilhar do grupo dos 50 pontos antes do jogo contra o Santos e do confronto direto contra o Atlético Paranaense. Mirar o Botafogo torcendo por um tropeço na Ressacada, sem esquecer-se do clássico em São Paulo nesta rodada.

Amanhã, 19h30min no Olímpico, um único foco, um único pensamento. Bocas sendo utilizadas exclusivamente para o alento pela vitória.

Angra, Aqua - crítica

A turma de Kiko e Edu lançam seu novo disco de... literatura?


Olha, antes de mais nada é importante que se diga que não é nada inovador (ou tão fora do comum) bandas de Metal adaptar poemas, contos, livros ou qualquer outra coisa escrita por algum maluco que imagine um monte de coisas que só existem mesmo em suas mentes doentias – na real, o Heavy Metal é terreno fértil para esse tipo de coisa. Aliás, não é querendo puxar a sardinha pro nosso lado (dos Roqueiros) mas normalmente esse tipo de trabalho se encaixa bem com esse tipo de som. É um som refinado mesmo...

Pois bem. O conceito do novo álbum da banda veio daquela que é considerada a última peça que Shakespeare escreveu, A Tempestade. A obra trata de temas bem conhecidos nas peças de meu xará como traição, amor, vingança, conspirações e um monte de tralha do século XVII.

A próspera história do Próspero.

A peça conta a tragédia de Próspero, um Mangangão de antigamente tirado a catimbozeiro, que é passado pra trás por seu irmão Antonio, que quer ocupar seu lugar no cenário político local – bem original, não? Após uma puta trairagem de seu irmão, Próspero e sua filha Miranda são açoitados numa ilha lá na casa da porra – que serve de cenário para a peça.

Quando o Rei da área, e sua patota retornam de uma viagem marítima e dão uma passadinha na ilha de Próspero, uma tempestade daquelas (criada pela magia do ilhado) abate as embarcações dos caras e fazem com que seus ocupantes sejam trazidos, pelo mar, até a ilha, onde Próspero pretende completar sua vingança. E ela será maligna cara, literalmente.

Sem arrodeios

Mas, vamos deixar a historinha pra lá e ir direto ao ponto. Viderunt Te Aquae e Arising Thunder começam mais ou menos nessa parte da história em que eu parei. As duas primeiras faixas tem como fundo a tempestade mandada por Próspero (se ligou nos trovões na faixa 2?) para tocar o terror nos navios reais e arremessar à ilha os seus desafetos. Viderunt Te Aquae é aquela velha conhecida musiquinha instrumental que forra o terreno para a faixa seguinte – como Deus le Volt! e In Excelsis.

Arising Thunder foi o primeiro single do álbum, totalmente mergulhada no Power Metal cheio de guitarrinhas frenéticas, pedais dulplos e com um refrão bacana e pegajoso – a todo momento me pego batucando ou assobiando essa bagaça.

Awake From Darkness é um dos melhores momentos do álbum: o riff é muito bom e nos trás de volta ao som que estamos acostumados a ouvir. Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt só não conseguiram fazer chover com suas guitarras aí nessa parte – até porque só quem sabe armar temporal nesse álbum é o Próspero. Ah, antes que eu me esqueça tem uns violinos e uns pianinhos pra temperar melhor a música e fechar com chave de ouro.

Lease of Life muda completamente a pegada pesada do início de Aqua para contar melhor a história – que se alterna entre altos e baixos, claro. Essa música aí acho que tinha mesmo a intenção de enfiar a cara de quem ta escutando na atmosfera de A Tempestade contando o encontro do filho do Rei, com a filha de Próspero. O carinha, após a chuva braba, cai nos encantos de Arial, um fantasma enviado por Próspero, que o faz ouvir vozes de umas fadinhas.

Ainda tá lendo? vai escutar pô.

Pra finalizar, a impressão que ficou em mim é que Aqua vai mesmo surpreender algumas pessoas – principalmente aqueles que achavam que esse álbum seria uma merda. Qualquer ouvinte mesmo com seu neurônio solitário poderia deduzir que seria impossível contar uma história tão complexa quanto essa sem dar uma quebrada no som. Seria impossível ficar o tempo todo “de pé embaixo". As mudanças bruscas servem exatamente para retratar as diversas nuances da história do Shakespeare – recomendo inclusive aos ouvintes e/ou fãs que leiam A Tempestade (facilmente encontrada no Google), até para poder entender melhor o que os caras querem passar – sem isso acho que as faixas podem ficar sem sentido.

Esta é a desvantagem de se adaptar uma obra, e retratá-la através de um álbum: se os músicos não conseguirem retratar o contexto real da obra original, o disco perde o sentido, e acaba transformando todo o potencial do projeto em um amontoado de tralhas sem lógica. Pensando nisso, não há muito o que pensar – literalmente. Entendeu? Enfim, Aqua é fodão mesmo, vale muito a pena escutar e quem não concordar é porque deve ta escutando Tati Quebra-barraco (ou coisa pior) agora e perdeu sua capacidade de separar o que presta do que não presta.

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Informações úteis:

  • Titulo: Aqua
  • Artista: Angra
  • Ano: 2010
  • País: Brasil
  • Número de faixas: 11
  • Avaliação: 9 (Puta que o pariu!!)
Informações (in)útéis

Sobre o Álbum:
  • Quando escutei? 09/2010
  • Quantas vezes? Milhares
Sobre o texto:
  • Quando escrevi? 18/09/2010
  • Onde estava? Em casa
  • O que assistia? Futebol
  • O que ingeria? Cervejaaaaaa