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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Radiohead - The King of Limbs | crítica

Como ser repetitivos mesmo sendo originais? Descubra agora.

Você deve estar se perguntando porque Diabos eu estou escrevendo sobre o Radiohead em pleno Carnaval – seria muito mais pertinente falar do novo DVD da Ivete, do Hit da Liga da Justiça estrelando a Super heroína fujona ou do novo visual (que a Rede Bahia quase deu mais importância que a própria festa) do vocalista do Chiclete com Banana. Mas como eu só escuto essas pérolas quando estou possuído pela mardita bebida, ficaria impossível escrever algo a respeito – até porque não há conteúdo suficiente no Axé pra sustentar nem uma redação de 7 linhas. Agora, deixando de lado as deficiências da trilha sonora do Carnaval baiano, o motivo real da crítica é que eu já estava escutando este álbum a 15 dias e já estava na hora de redigir umas linhas sobre o dito cujo; e cá estou eu – meio grogue ainda e numa ressaca desgraçada, mas estou...

Uma overdose de excentricidade.

The king of limbs foi anunciado a alguns dias e pegou todos de surpresa – ao menos eu fui; afinal desde o lançamento do último trabalho dos caras (In rainbows, 2007) eu tinha escutado todo tipo de coisa a respeito; exceto que um novo álbum estava em andamento.

Escutar um álbum do “excêntrico” Radiohead continua sendo uma experiência estranha, controversa e tão inexplicável quanto o sucesso do Justin Bieber. Requer do ouvinte uma certa dose de boa vontade e entrega – um copinho de conhaque (ou algo com teor etílico semelhante) pode ser útil também. Tudo é diferente do que escutamos nos rádios ou na TV: é um lance complexo mesmo. Digo isso, pois quem não estiver preparado devidamente para o que vai escutar, poderá apertar o Stop antes mesmo que finde a 1ª faixa.

Criativo ou mais do mesmo?

O disco possui apenas 8 faixas, mas já é mais que suficiente para entrarmos no mundo da galera de Thon York e respondermos a pergunta que não quer calar: como conseguiram ser repetitivos mesmo sendo originais?

"Bloom" é a 1ª faixa e começa sem arrodeios, sem esconder jogo: introdução estranha, arranjos inexplicáveis e a irritante ausência de refrões (em todas as faixas aliás) servem como cartão de visitas do novo trabalho. Na seqüência, "Morning Mr. Magpie" parece nos fazer uma outra pergunta: tem certeza que quer continuar escutando? Isso porque segue o mesmo ritmo (ou a falta dele) louco da outra música e aí só pára quando começa "Little by little" e "Give up the ghost," ambas arrastadas e recheadas com som de charangas acústicas, ao estilo Lual MTV – o que não a torna menos excêntrica que as outras, apenas um pouco diferente.

"Lótus flower" (para você que já estava a um passo da diarréia cerebral) é 1º single do disco e como tal naturalmente precisava ser mais “pop” – ao lado da derradeira música (Separator) são as mais escutáveis do disco. Muito boas por sinal.

Uma baladinha no piano (Codex) e uma instrumental (Feral) fecham os trabalhos e nos dão as últimas informações para resolver o caso que nem a equipe do C.S.I. conseguiria: como ser original mesmo sendo clichê? Agora ficou simples: se você já escutou algo da banda além de "Fake plastic threes" (ao menos em Bruna Surfistinha) sabe que os arranjos toscos e os refrões estranhos (quando existem) sempre fizeram parte dos discos dessa galera – portanto em The king of Limbs não há nenhuma inovação: as guitarras continuam histéricas, a bateria descompassada e o vocal irritante. Mas se você nunca escutou nada da banda inglesa, essa certamente será a experiência musical mais inexplicável de sua vida até agora.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bruna Surfistinha - crítica

Enfim algo sobre Raquel Pacheco que dá pra ser visto.

A garota de programa mais fanfarrona do país acabou de ganhar mais um capítulo para sua mitologia pessoal. Bruna Surfistinha (idem, 2011) estreou nos cinemas como se fosse uma cereja para um bolo que teve em sua fórmula ingredientes como artigos em revistas de fofocas e/ou notícias inúteis, matérias em sites de conteúdo direcionado a internautas dementes ou de baixa atividade cerebral (nacionais e internacionais), um blog mequetrefe e 3 livros que poderiam facilmente ser vendidos em qualquer supermercado na seção de higiene – ao lado dos papéis para limpar o rabo.

Pensando nisso, realmente ficou difícil criar expectativas sobre o filme da Surfistinha. Confesso que o que mais me motivou a ir foi a curiosidade de ver como se sairia o publicitário (e diretor do filme) Marcus Baldini em seu novo trabalho. Decidido; o jeito era rezar para que a obra fosse menos ruim que os outros títulos lançados explorando a imagem e a história da danadinha.

Dejà vu

Algumas semanas atrás eu postei aqui a minha crítica de O doce veneno do Escorpião e obtive o maior número de acessos por postagem até agora – foram 912 até o momento, sendo que a 2ª postagem mais vista tem apenas 560 visitas. Foi impressionante! Acredito que a principal causa disso tenha sido o fato de 80% dos meus leitores serem marmanjos sexopatas – nesse caso, postar um texto sobre um livro cheio de putarias é juntar a fome com a vontade de comer. Agora chegou a vez do filme.

A trama do filme é semelhante a do livro: Raquel Pacheco é uma pirralha com problemas como a maioria dos aborrecentes (aliás, quase que o filme não toca nesses conflitos), que decide cair fora de casa e se enfiar num puteiro disfarçado de hotel (de quinta) no centro da capital paulistana. É lá que a maloqueira problemática cheia de frescuras de menina rica irá descobrir que rapadura é doce mas não é mole – se é que você me entende.

Neste lugar a tapada da Raquel vai adquirir mais experiência com bilaus que a Parmalat com embalagem plástica – afinal o Bordel está para a puta assim como a Faculdade está para o estudante. A partir desta etapa a garota estará pronta para atacar sob a alcunha de Bruna Surfistinha.

Um livro que virou filme... melhor seria se fosse o contrário.

O filme é ralamente baseado no livro meia boca, e posso dizer que esse é um dos acertos (que não são muitos) pois o livro em si não possui conteúdo suficiente pra servir como base nem para um filme pornô afegão. Um outro ponto forte é o fato de Baldini não ter levado a história desinteressante de Raquel tão a sério quanto outros cineastas insistem em fazer com roteiros igualmente sem profundidade; o diretor não julga a insensibilidade da personagem e nem tenta esmiuçar o sofrimento da mãe “abandonada”, deixando como algo a ser subentendido. Ta bom assim, aliás.

As escolhas de Drica Moraes e Deborah Secco foram acertadas também, as atrizes se jogam nos seus papéis e conseguem minimamente serem convincentes – o que já é muito pra esse tipo de filme. No caso da Deborah (agora mais gordinha e mais gostosa que nunca), ela consegue passar para os espectadores o tempo certo da “evolução putesca”, não deixando a personagem se tornar mais superficial do que já é – se é que isso é possivel. No caso da Drica nem preciso falar muito; ela é show.

Durante a sessão acabei pensando que melhor seria se fosse o inverso: imagine se Bruna Surfistinha se tornasse um livro; com certeza teria potencial – ou talvez se o livro tivesse seguido uma idéia parecida com a do filme, quem sabe...

Não quero dizer aqui que Bruna Surfistinha é um filmaço (não é) mas se disser que não gostei estaria mentindo; então digo que a história da garota vazia (fake plastic three’s do Radiohead ilustra bem a intenção do Diretor em ressaltar essa característica da personagem) enfim teve um capítulo que vale a pena ser visto – mesmo que não seja nada demais.

Continue lendo:
  • Cisne Negro - drama psicológico com ares de terror.
  • Enrolados - e mais um capítulo da saga: Disney tonta no mercado.
  • Caso 39 - roteiro e atuações tropeçaram e o caso caiu, digo, a casa caiu.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Marvel vs Capcom 3 - fate of two worlds | crítica

Quebradeira gratuita. Graças a Deus!!!

Por longos 11 anos, os fãs de jogos de luta (com personagem dotados de poderes mais destrutivos que qualquer arma de destruição em massa) clamavam por uma seqüência de um dos jogos de luta mais viscerais de todos os tempos, Marvel vs Capcom 2. Petições foram escritas, fóruns e salas de bate papo por toda a parte foram inundadas com pedidos – nem sempre comportados. É, a espera foi dolorosa... ano passado porém nosso apetite aguçado foi saciado em parte com o lançamento de Tatsunoko vs Capcom, mas não totalmente – à falta de familiaridade com alguns dos personagens foi um dos principais motivos pra isso, diga-se de passagem.

Marvel vs Capcom 3: Fate of Two Worlds está agora diante de nós, mas agora uma pergunta martela nossas mentes doentias: esses 11 anos de espera valeram a pena? Valeu a pena todo o xingamento, as unhas comidas e as crises de abstinência? Simplificando: ESSA PORRA PRESTA?? A resposta para todas as três perguntas é simples meu caro: Ô!! O combate frenético que os fãs mais amam está de volta e veio mais destrutivo do que nunca permitindo fazer tudo o que nossas mentes ociosas imaginar – e muito mais.

Quem liga pra roteiro?

Quando o jogo foi anunciado pela primeira vez, os nerds por trás do jogo se gabavam de uma grande história, cheia de reviravoltas e escrita por Frank Tieri, um dos grandes roteiristas da Marvel. Mas na prática não foi isso o que vimos – aliás nem existe o Story Mode. No jogo, Doutor Destino conseguiu reunir os maiores vilões do Universo Marvel e juntou forças com Albert Wesker (não confundir com Wísque) que fez o mesmo no Universo Capcom; o objetivo seria unir os dois mundos para que os malas pudessem conquistar ambos – super original, não acham? Mas, sem querer despertam uma monstruosa ameaça que poderia destruir os dois mundos. Agora, cabe aos heróis da Marvel e da Capcom desfazer a merda toda antes que seja tarde demais – e é só isso mesmo.

Tudo bem, o roteiro é uma merda mesmo... mas me diga uma coisa: quem se importa com isso? É um jogo de porrada, oras; a única coisa que importa é quantos recursos o jogo traz para que nós possamos enchulapar o adversário – seja ele o CPU, aquele seu amigo mala que vive te zoando nas partidas de PES ou mesmo a sua irmãzinha que cola no seu pé e não sai enquanto você não deixa ela jogar uma; no meu caso, a minha filha de 5 anos.

Quebra tudo Caldeirão!!

Não, não é mais um texto sobre Enrolados (Tangled, 2010); é que bordão nenhum nesse mundo ilustra melhor essa loucura toda. MvsC3 traz de volta tudo o que nós queríamos num jogo como esse, isso inclui socos, sapatadas, empurrões, cusparadas, tabefes, rasteiras – além (claro) da possibilidade de chamar os outros membros de seu time (são 3 ao todo) para mandar um super / ultra / special / mega / GG / blaster Hit Combo e espancar sem dó o adversário!!

Vale a pena ressaltar também a facilidade desses comandos; ao contrário de outros jogos desse estilo você não precisa ser um expert na arte de afundar botões de joystick nem necessita decorar seqüências intermináveis de comandos para bater no seu oponente. Isso é um ponto positivo porque aumenta a diversão para aqueles que não sabem o que um "OTG" significa, quantos frames tem cada movimento ou não possuem coordenação motora suficiente para soltar um Hadouken – por outro lado, aquela sua irmãzinha pode te pegar de surpresa e te destruir num super combo apertando os comandos naquela loucura costumeira. Cuidado com o vexame!

Mas nem só de cacetadas vive os gamemaníacos, sabendo disso, a Capcom disponibiliza muito material extra com diversos modos (que vão do tradicional Arcade até o Model Viewer – uma espécie de Show Room dos personagens) para que o jogador tenha outras opções de diversão e não tenha um aneurisma, sangramento nasal ou uma diarréia mental com tantos pipocos, brilhos, cortes e fade out’s.

Com gráficos fantásticos (como este blog), dezenas (ou centenas) de DLC’s disponíveis e um multiplayer que promete ser a mais nova febre dos games de pancada, MvsC3 – fate of two worlds entra fácil pro Hall dos jogaços, daqueles que em pouco tempo deixam o jogador totalmente viciado.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Justiceiro - Zona de Guerra | crítica

A ressurreição de Mama Gnucci... e de Frank Casttle!

Qualquer leitor de quadrinhos (até os mais displicentes) sabe que Frank Casttle (mais conhecido como o Chuck Norris da Marvel) nunca esteve entre os personagens mais populares da editora; sabe também que isso nunca impediu o vingador urbano de gerar algum lucro entre os psiconerds, vendendo suas revistas ou mesmo tendo suas histórias adaptadas para as telonas. Mas a verdade é que a muito tempo a casa das idéias não consegue publicar algo que preste com o nome do Justiceiro – aí não demorou nada até os poucos (mas fiéis) fãs começarem a boicotar geral...

Em 1998 Joe Quesada e Jimmy Parmiotti sugeriram a Marvel uma suposta fórmula mágica que faria as vendas aumentarem: propuseram a editora uma sacolejada no personagem e assim surgiu a linha alternativa de quadrinhos conhecida como Marvel Knights, que trouxe o herói mal humorado em histórias místicas. Não colou... os críticos baixaram o pau, as vendas continuaram caindo e o que parecia ruim ficou ainda pior – tipo Lei de Murphy mesmo.

Bem vindo de volta, Frank.

Justiceiro – Zona de Guerra, foi a última saga da reviravolta que teve início em 2000 com a minissérie sangrenta “Bem vindo de volta, Frank”, que visava mostrar o vingador miseravelmente como era antes da influência de roteiristas aboiolados que quase transformaram o personagem mais durão da editora num EMO.

Na trama, as más línguas espalham pelas ruas da cidade que uma antiga organização mafiosa (que já tinha sido varrida das ruas justamente pelo Frank) está de volta juntamente com sua diabólica matriarca, a Mama Gnucci; mutilada e supostamente morta pelo Justiceiro 6 anos atrás ela jura que retornou do próprio inferno para aterrorizar seus parceiros e se vingar de seu algoz – nesse bolo ainda foi acrescentado a presença de uma violenta policial que é escalada para a investigação do caso.

Ressurreição banhada a sangue.

Cara, realmente é difícil descrever o que fizeram ao Justiceiro nessa história; você tem que ler! O Frank Casttle descrito por Garth Ennis (ao contrário do estávamos acostumados a ver nos últimos anos) é um sujeito do tipo que você não ia querer encontrar numa noite – nem numa manhã; nem nunca, aliás... o cara é um sujeito amargo, aterrorizante, insensível... o legítimo espírito de porco! Um cara que sente prazer em explodir os miolos de seus inimigos e se motiva a cada vez que repete o ciclo. Um cara acima do bem ou do mal – assim como era retratado no início de suas histórias.

A arte de Steve Dillon é sombria e acompanha o roteiro de Ennis passo a passo dando a cara necessária a veracidade do personagem amargurado. As expressões de Casttle são semelhantes às de um maníaco psicótico daqueles ao estilo Anton (personagem inesquecível de Javier Barden em Onde os Fracos não tem vez), sem emoção ou piedade. É atirar antes e perguntar depois – isso, se lembrar.

Piadas sujas, quadros violentíssimos e sangue jorrando a torto e a direito como se fosse água, tornam Zona de Guerra uma edição digna de estar presente na coleção de qualquer machão – ao lado do DVD duplo de Mercenários, da quadrilogia do Rambo e das temporadas de 24hs, claro.

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O doce veneno do Escorpião | crítica

Raquel Pacheco vs Bruna Surfistinha: agora puta tem nome e sobrenome.

Por Willian Rof
A história que Raquel Pacheco conta em sua autobiografia é com certeza o mesmo perrengue de muitas mulheres por esse Brasil a fora, que pela grana fácil (isto é se você acha que ganhar dinheiro pra levar madeira é mamãozinho com açúcar), decidem rodar a bolsa por aí – e ainda por cima continuam estudando, como se prostituição fosse um emprego como qualquer outro.

Existe porém uma diferença – que faz toda a diferença, por sinal: é que a moçinha teve a coragem de jogar o barro no ventilador (coisa que nenhuma delas tinha feito) para quem quisesse ver, ler ou ouvir – e depois até conferir, caso pintasse uma curiosidade. Bruna Surfistinha era uma das mais badaladas garotas na época em que O doce veneno do Escorpião foi lançado – 2006. Loira, dona de uma bunda que parecia ter sido criada em cativeiro de tão bem cuidada, com uma página na internet com mais de 15.000 visitantes por mês e o melhor de tudo: estava disponível para quem estivesse disposto a pagar alguns trocados pelo seus serviços. Ela era “O cara”, afinal nada neste país nada da mais ibope que putaria e/ou barraco; o Ratinho que o diga – será que se eu começar a contar minha intimidade sexual consigo esse número de acessos? Deixa pra lá...

Prazer, meu nome é Raquel. Mas pode me chamar de Bruna.

Raquel Pacheco era uma menina adotada, dividiu sua infância com mais duas irmãs – filhas legítimas do casal; e tinha complexos com sua altura e sua forma de barril. Seu pai tinha um trabalho bacana que – daqueles que permite que a esposa fique em casa chocando os ovos e lambendo os filhotes; e por aí vai...

No livro ela conta um pedaço de sua adolescência (a mais picante, claro – acho que é a única parte que queremos saber mesmo), seus relacionamentos com guris sem noção e sua vida de colegial rebelde; época em que começa a mostrar uma certa curiosidade pelo prazer do mundo das safadezas e afins; jovem, bonita, descolada e hard core o suficiente para se envolver nessa “vida”, precisava apenas de um pequeno empurrão (sem trocadilhos) para que ela partisse definitivamente para o mundo da putanhagem – e não demorou esse dia a chegar, logo a moça pirou o cabeção, resolveu sair de casa e virar puta. Mais ou menos nessa ordem mesmo.

Um verdadeiro conto de (sa)fada.

Antes de mais nada é importante que se diga que O doce veneno do escorpião é um livro ruinzinho daqueles que só se ler se não tiver nada melhor pra fazer ou pra ler – é bem verdade que o texto recheado de histórias safadinhas atrai quase todos os marmanjos alfabetizados do país – exceto (claro) aqueles que não são muito chegados a fruta. A autora descreve algumas situações reais com seus clientes, e/ou parceiros dando vários detalhes sórdidos e características de seus programas – e enquanto narra ela ainda faz alguns paralelos entre a Bruna: uma maloqueira / mercenária / doente / complexada que resume sua vida a prática do esporte sexual – inclusive para levantar o ganha pão – sem trocadilhos; e Raquel uma moça de família que esboça até alguns valores éticos e morais.

Indico para quem é fã de filmes pornô Hard Core (no melhor estilo dos filmes da Explicita) ou revistas ginecológicas como a Sexxy. São 174 páginas de vocabulário chulo, contos que faz as histórias do Ari Toledo parecer piadinhas de velório e mais putaria – de todos os tipos. É mão naquilo é aquilo na mão... sempre haverá algo apelativo no texto: quando Raquel não está com algo (dos outros) nas mãos (ou em algum outro lugar), alguém está com algo (dela) nas mãos – isso antes ou depois de algo estar dentro ou fora ou dentro ou fora ou dentro novamente. É mais ou menos por aí, se é que você me entende...

The Walking Dead - 1ª temporada | crítica

Vida inteligente no subgênero.

Antes de mais nada eu já adianto a vocês que eu não tive tempo pra ler as setenta e tantas edições dos quadrinhos que inspiraram a série, portanto essa crítica é única e exclusivamente sobre a série mesmo – pra vocês que estão acostumados a ver em meus textos os paralelos entre as mídias...

Vamos ao que interessa.

Eu comecei a assistir The Walking Dead (idem, 2010) atrasado – e muito. E como eu lamento por isso...

A série estreou dia 31 de outubro lá em terras gringas e poucos dias depois por aqui na Fox Brasil. O engraçado é que eu estava ansioso para ver a adaptação (já tinha lido algumas páginas da obra até) dos quadrinhos de Robert Kirkman e Tony Moore, mas por diversos motivos não consegui ver, enfim...

Foram quase 4 meses de informações (do tipo spoiler) de amigos que já haviam assistido e queriam me zoar, de comentários transloucados no orkut à procura de informações sobre a segunda temporada – sem falar nos e-mails que recebi durante esse tempo com vocês me enchendo o saco pra que eu assistisse logo (e escrevesse algo a respeito) essa bagaça. Pois bem, aqui estou eu: assisti, gostei e escrevi umas linhas pra vocês!

Vida inteligente no subgênero.

The Walking Dead me deixou em êxtase, confesso. Fiquei abestalhado com a forma como trataram a história – mesmo sem saber direito se ela é fiel ou não aos quadrinhos – no final, acabei não sentindo necessidade de comparar; foi um prazer exporrante. Mas nem é sobre a adaptação em si que digo isso; a forma como trataram o subgênero “zumbi” já tão desgastado ultimamente em todas os tentáculos da Cultura POP já é um ponto positivo. O enredo pode até não ser lá grande coisa – aliás acho que já se tornou até essencial nesse tipo de filme alguém acordar e se ver em meio a um apocalipse zumbi. Em The Walking Dead esse cara é um policial que (pra variar) acorda sozinho em um hospital e após sair do lugar nota que está cercado por mortos-vivos; daí só resta sair a procura de sua esposa e seu filho – no caminho (claro) ele se junta a outros humanos que lutam para escapar dos comedores de gente. E é só.

Os episódios dessa temporada de entrada são como todos os outros de outras séries, com aquela obrigação de introduzir o enredo aos espectadores e isso engessa de certa forma o roteiro, mas nada que diminua a diversão de ver uns zumbis sendo exterminados – o episódio 1 é o maior exemplo disso. Os episódios seguintes são bem mais dinâmicos, com mais bala, mais enredo e mais zumbis – afinal depois que passa “o episódio introdutório” (falei bonito agora heinhô) o roteiro se liberta destas “amarras” e pode fluir normalmente, assim o lance começa mesmo a partir do 2º episódio e aí o negócio descamba a ficar bão – como dizem os mineiros.

São apenas 6 episódios nessa 1ª temporada e isso é mais que suficiente para trabalhar (6 horas é um puta tempo para se desenvolver qualquer história) e cada segundo é muito bem aproveitado pela equipe. Não vou ficar babando o ovo dos caras com adjetivos bonitinhos mas eles botaram pra “F” mesmo – claro que existe os errinhos básicos que sempre estão presentes em quase tudo o que Hollywood produz (o protagonista Rick, interpretado por Andrew Lincoln, não consegue ser mais carismático que seu “concorrente” e ex parceiro Shane, vivido por Jon Bernthal, por exemplo), mas esses detalhes estão longe de estragar o sucesso da série.

Segundo as más línguas The Walking Dead (a série) é infinitamente inferior a The Walking Dead (os quadrinhos). Se isso for verdade, acho que perdi o lançamento da década, pois se os quadrinhos conseguirem ser ainda melhor... UAU!!! A partir de hoje ler The Walking Dead é apenas uma questão de tempo pra mim – tanto o meu quanto o da chegada da coleção via Correios.

Tarja Turunen - What lies beneath | crítica

What lies beneath é mais uma tentativa desesperada da Diva de voltar ao auge fazendo baladinhas.

por Willian Rof
Tarja (para os íntimos) é um ícone (tanto pelo talento quanto pelas curvas) da música pesada mundial, não há como negar. Como vocalista do Nightwish viajou o mundo inteiro e encantou os marmanjos de todas as idades com sua voz de trovão – faz a Ana Carolina parecer a Sandy. Mas em 2005 e surtou (influenciada pelo marido mercenário) e deixou o auge lhe subir a cabeça; brabou com os integrantes do grupo durante uma turnê e foi gentilmente convidada a se retirar pelo picão da banda, o compositor e tecladista finlandês Tuomas Holopainen – uma carta de desabafo foi divulgada no site dos caras e tudo – babado forte como diria os viciados em fofocas. O resto da história acho que todos conhecem.

Foram quase 2 anos para Tarja Turunen voltar a ativa nos palcos com seu 2º álbum solo (o 1º foi um projeto natalino com um nome impronunciável que ficou lá pela Finlândia mesmo – ainda bem), o fraquíssimo My winter storn, que escutei 3 vezes no máximo e hoje jaz em algum canto obscuro localizado abaixo de minha cama. 3 anos se passaram e a morena finalmente voltou com algo que dá pra escutar: What lies beneath é bem superior ao seu 1º trampo – mesmo que ainda esteja muito abaixo do que já mostrou que pode fazer.

A velha Tarja ainda não deu as caras...

O novo álbum ia bem antes mesmo de ser lançado com a confirmação das participações especiais da banda alemã Van Canto (aquela que faz as capelas) e o consagrado guitarrista Joe Satriani (aquele que todo muno já ouviu falar), mas não demorou muito para as expectativas diminuírem, o 1º single divulgado foi I feel immortal, uma baladinha bem no estilo novela das oito – confesso que me decepcionei. Aí o jeito era esperar o lançamento da bagaça e torcer até lá...

What lies beneath começa até bem com Anterrom of death. A música que tem a participação do Van Canto mistura as belas vozes dos alemães com um refrão meio forçado entrando de assalto. É meio louca mas vale pela originalidade.

A segunda faixa, Until my last breath é o tipo de música que poderia facilmente entrar num álbum da antiga banda. Essa música mostra que a Tarja saiu do Nightwish, mas o grupo de Metal ainda não saiu da morena: o refrão pegajoso lembra muito os de antigamente, um presente para os fãs da banda como eu. In for a kill quebra a sequência de musiquinhas melosas e mete um peso no álbum, bem no estilo Tarja; logo após a melhor das músicas lentas do disco entra em ação: Tarja e o piano é o casamento perfeito, nota 10 para Underneath! mas em seguida outra faixa morna quebra o clima... são 8 deste tipo, aja saco cara – e olha que eu até gosto da gata cantando esse tipo de som, mas assim já é demais pô.

Dark star teve participação de Phil Labonte e deu um novo gás ao trabalho mas nem se compara ao que Satriani fez com Falling awake. Falar do cara é chover no molhado (eu sei) mas quem não se impressiona com seus riffs? Só os surdos, eu acho – ah, e aos pagodeiros, claro. Acione o repeat no seu player e arregale os ouvidos pra essa.

Arquive of lost dreams dá uma segurada no ritmo, mas serve como introdução para Crimson deep – e mais música de novela – o álbum inteiro segue esse ritmo: sempre uma faixa pesada e uma baladinha. Curiosamente eu posso dizer que gostei dessa última, não me pergunte porque, talvez o refrão, ou a batéra destacada de mais uma participação especial (Will Calhoun) sei lá... o que importa é que eu gostei e pronto. Ainda existem algumas até o fim – e até uma faixa bônus. Mas basicamente o resto é resto.

What lies beneath não é nem de longe o que estamos acostumados a escutar da Diva do Metal, mas confesso que me animei em algumas faixas. A velha Tarja voltará em breve. Eu acredito!