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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Atividade paranormal


Alguém lá em cima gosta de mim, eu acho… E assim que puder acenderei uma vela no altar dos Deuses em agradecimento à entrega do presente assustador da última quinta-feira quando decidi enfim, após muita badalação assistir Atividade paranormal.
Escrito, produzido e dirigido por Oren Peli, o filme é um “microinvestimento” da indústria cinematográfica. Com um orçamento de US$ 15.000, o que reforça Atividade paranormal (Paranormal Activity, 2007) é a comparação com outro fenômeno de público: A bruxa de Blair (The Blair wicht project, 1999) e ambos provaram que se faz desnecessário grandes orçamentos e efeitos visuais para induzir um verdadeiro terror.

O medo começa na mente

E é na mente onde Peli começa seus trabalhos. O que é mais assustador do que o desconhecido? Nós, seres humanos dependemos fortemente de nosso sentido da visão para nos sentirmos seguros e o que não podemos ver - não podemos saber através dos nossos olhos - evoca apreensão.
Assim Peli c
oloca ênfase no uso de efeitos sonoros e não em efeitos visuais que são utilizados modestamente aqui. Ele toca diretamente no nosso medo de sons inexplicáveis. Se não podemos ver ou descobrir a origem dos sons, na ausência dessa informação, automaticamente nossas mentes fabricam “explicações” infinitas, porém algumas podem ser improváveis, o que nos leva diretamente a um estado de medo.

Luz – ou nem tanto, câmera, ação!

Assim como A bruxa de Blair, Cloverfild – o Monstro (Cloverfield, 2008) e REC – Nunca deixe de filmar (REC, 2007) Atividade paranormal é filmado com uma única câmera de mão, utilizando-se do ponto de primeira pessoa de visão.
O operador
da câmera é Miquéias (Miquéias Sloat), que quer capturar em filme sobre um período de dias e noites com as ocorrências inexplicáveis da casa que divide com sua namorada, Katie (Katie Featherston). À noite, Micah encaixa a câmera em um tripé colocado no quarto, o ponto focal de toda a atividade, para gravar o que acontece enquanto dormem. Através do visor, temos uma visão clara de sua cama e da porta aberta.
Micah não leva a sério essas ocorrências, a experiência cinematográfica para ele é um mistério fascinante que gostaria de desvendar. Katie por outro lado, vê que a situação não é motivo de riso e depois de ver a filmagem da primeira noite e consultar um médium o jovem casal descobre que eles estão sendo assombrados por um espírito demoníaco.

Noites intermináveis

As seqüências no quarto durante a noite são os momentos mais assustadores de Atividade paranormal, pois é quando Micah e Katie dormem que o demônio causa estragos em suas vidas - e em nossas mentes, claro. A lente da câmera tem o efeito de dividir o espaço da tela em duas, como um “palco principal” para a direita (a cama), e um" palco secundário "para a esquerda (a porta). Inicialmente, a ação é mais forte no “palco secudário”, posteriormente passando para o “palco principal” – como em qualquer show, aliás… Mas como disse, é o que ouvimos do “palco” e não o que nós vemos o que nos assusta, porque Peli nos mostra muito pouco - uma porta balançando, sacudindo as luzes à desligar, uma vaga sombra movendo-se através da porta, marcas de pé grande em pó que se assemelham pés de galinha e por aí vai.

Xeque mate

O Ritmo do filme é perfeito em intensidade progressivamente aumentando a cada noite. E não é apenas a tensão e o pavor que crescem… Um sentimento de impotência e inevitabilidade invade gradativamente o casal visivelmente abalado que começa a desmoronar e não parecem estar agindo de forma racional, comportamentos e diálogos não surgem como natural. O que aparenta sim, naturalidade é a narrativa porque imagina só… Poderiam ser nossos vizinhos! Preocupamo-nos com estes dois, porque os seus medos também são nossos.
Peli nos conduz competentemente em direção a cena chocante do final que mais parece como um golpe no plexo solar. O cineasta novato nos deu o filme mais aterrorizante de 2009, e um dos melhores nos últimos anos. Aleluia…

Atividade paranormal - ficha técnica
  • Titulo original: Paranormal activity
  • País: EUA
  • Ano: 2007
  • Duração: 112 min
  • Gênero: Suspense
  • Direção: Oren Peli
  • Elenco: Katie Featherston, Micah Sloat, Michael Bayouth, Amber Armstrong, Mark Fredrichs, Randy McDowell, Ashley Palmer, Tim Piper
  • Avaliação 7,0

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O caçador de pipas


“O caçador de projetos-problema”

Tendo como base o livro do escritor afegão Khaled Hosseini com mais de 8 milhões de cópias vendidas (quase 2 milhões só no Brasil) “O caçador de pipas” (The kyte runner - 2007) já chegou as telonas cercado de espectativas - junte a isso a sensibilidade do diretor Marc Forster e a espectativa aumenta em torno do longa...

O resultado obtido porém, é digamos... regular. Para quem esperava um filme que se aproximasse da obra literária de mesmo nome acertou - em parte, claro. Afinal, assim como a linguagem do livro segue uma linha tradicional de literatura, a obra cinematográfica mantém a mesma característica em relação à linguagem de seu gênero.

Com relação aos conceitos de montagem, fotografia, linearidade e narrativa o filme se enquadra numa linguagem clássica Hollywoodiana”, afirma o especialista Arthur Gomes, professor de História do Cinema e membro da ONG “Nós do Cinema”.

Com a batuta na mão, Marc Foster, diretor meticuloso que tem em seu currículo obras como “A última ceia” (Monsters ball, 2001). Mas não está sozinho nesse barco; com ele, Sam Mendes (Beleza Americana, Estrada para Perdição) que trabalha agora com o roteirista de Tróia, David Benioff. Ah... a DreamWorks produz.

Tudo bem se um ou outro disser que “A última ceia” foi o único título que teve alguma relevância na carreira do diretor suisso. Uma coisa é certa: Esse cara é corajoso! Mostrou isso ao comandar o contraditório “A passagem” (Stay, 2005) ou mesmo ao se envolver no projeto-fiasco “Em busca da terra do nunca” (Finding neverland, 2004). Foi escalado de última hora para dirigir o “Bond 23” (007 - Quantum of solace, 2010) e nenhum diretor de “estampas de verão” consegue isso se não tiver alguma bagagem; enfim...

Mais do mesmo

A história não é nenhuma novidade, o cinema norte-americano sempre manteve seu olhar sobre os conflitos no Afeganistão desde da década de 80, exemplo disso são as criações Hollywoodianas, como Rambo 3, em que o soldado americano John Rambo (Sylvester Stallone) expulsa os invasores soviéticos do Afeganistão. Hoje, principalmente depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e da invasão americana ao Afeganistão, o tema “guerra no Afeganistão” continua sendo uma fonte inesgotável de idéias para os cineastas e roteiristas americanos – e não americanos.

O caçador de pipas conta a história de Amir, um garoto afegão, que é atormentado pela culpa de ter traído seu criado e melhor amigo (Hassan, filho de Ali) também empregado do seu pai. A história tem como cenário uma série de acontecimentos políticos tumultuosos, decorrente da invasão soviética, a massa de emigrantes refugiados para o Paquistão e para os EUA e a implantação do regime Militar.

O caçador de Projetos-problema?

A equipe de produção e o diretor Marc Foster mais uma vez se envolveram num projeto difícil de manejar e acabaram mais uma vez dividindo opiniões... Optaram por privilegiar atores de origem árabe durante a escolha do elenco; tal medida reforçou ainda mais uma das principais características do filme: a autenticidade. Para parecer autêntico, o longa teve as falas na língua dari; a decisão de usar pessoas de Cabul para atuar decididamente fez uma enorme diferença, mas não salvou.

Ok. Vamos entender que seria mesmo quase impossível repetir o sucesso do livro: a história do cinema mostra que tal façanha é muito pouco provável, mas ainda assim fica difícil não notar a dificuldade dos atores mirins – e dos adultos também com os seus personagens. Amir (Zekeria Ebrahimi) e Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada) não chegam a comprometer o longa mas digamos que não conseguem contribuir para o seu êxito. Qualquer um que tenha assistido mais que uma dúzia de produções protagonizadas por muleques sabe que a safra atual é boa e a escolha dos garotos acabou sendo equivocada mesmo. Isso não quer dizer que não foi uma adaptação fiel, apenas que faltou emoção. Os atores não demonstram os sentimentos marcantes no livro como a culpa, a melancolia de deixar seu país...
Na verdade parece que a estória está correndo pelo livro sem se aprofundar de fato.
Quando crianças, Amir costumava ler suas histórias para Hassan, filho de seu empregado, que pertencia a uma minoria etnica muito desprezada no Afeganistão os Hazara. Hassan não sabia ler, mas era muito nobre em sentimentos e adorava Amir. Depois do campeonato de pipas, Amir finalmente teria o orgulho de seu pai, mas algo inesperado acontece e a vida de Amir e Hassan muda para sempre, assim como sua amizade. Logo, a URSS invade o Afeganistão e Amir e seu pai fogem para a América. Mais tarde Amir se torna escritor e deve voltar ao Afeganistão para reparar o erro de não ter protegido Hassan dos que o violentaram.

Marc Forster já acertou muito em seus filmes anteriores, por sua sensibilidade e ritmo ao contar uma estória. Em “O Caçador de Pipas” essa sensibilidade não se faz presente e para quem não leu o livro, tudo pode não passar de um amontoado de cenas sem muito propósito. Não peço algo sentimentalóide, mas até quem não leu o livro sabe que O Caçador de Pipas tem uma história bonita; contando o filme a alguém, obviamente, parece que estamos falando de uma saga humana e emocionante de culpa, intolerância, redenção, e principalmente amizade e lealdade. Também é uma história triste, afinal a invasão russa no Afeganistão e a conseqüente intervenção americana no Oriente Médio como pano de fundo forçam não apenas o fim da inocência dos meninos Hassan e Amir, mas também de todo o povo. Se é focado em duas crianças, você imagina que a emoção virá à tona a qualquer momento... Só que o filme de Forster é frio e se esquiva dos sentimentos sempre quando ele ameaça surgir na tela. Por exemplo, acho que a linha narrativa de 'O Caçador de Pipas' lembra a de 'Cinema Paradiso': homem recebe um telefonema e precisa voltar a sua cidade natal para acertar contas com o passado. As comparações entre os filmes de Marc Forster e Giuseppe Tornatore param aqui. Mas Cinema Paradiso é tocante sem ser piegas e seu diretor não teve medo de ser acusado como tal. Outro exemplo do gênero que deveria ter sido seguido por Forster e o roteirista David Benioff é 'Menina de Ouro'. Clint Eastwood fez um filme extremamente triste, mas que não necessariamente faz o público chorar.

A falta de emoção pode ser o maior dos problemas de O Caçador de Pipas, mas está longe de ser o único. Algumas cenas ficam soltas com tantos buracos no roteiro. Não posso contar, mas a impressão é que faltou informação em alguns diálogos para explicar as motivações de alguns personagens. Há uma cena específica entre os pais de Amir e Hassan que simplesmente não faz sentido (quando um deles avisa estar de malas prontas para ir embora). Você vai ver.

Poderia ter sido melhor, mas ainda assim conseguiu uma indicação ao Oscar no quesito trilha sonora – indiscutivelmente o que mais se destaca no filme. E 2 indicações ao Globo de Ouro (filme estrangeiro e mais uma vez trilha sonora). E só!

O caçador de pipas - ficha técnica
  • Titulo original: The kite runner
  • País: EUA
  • Ano: 2007
  • Duração: 122 min
  • Gênero: Drama
  • Direção: Marc Foster
  • Elenco: Khalid Abdalla, Homayoun Ershadi, Zekeria Ebrahimi, Ahmad Khan Mahmidzada e Shaun Toub
  • Avaliação 5,0

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Avatar - crítica


Cameron, O retorno!

Com StarTrek em 1966, Gene Roddenberry imaginava "procurar novos mundos”, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve, criando o seu universo ficcional, pretendia contar histórias sofisticadas usando situações futurísticas como analogias para problemas conteporâneos. A fórmula foi homenageada/plagiada durante muito tempo mas o mais importante é que a lição foi aprendida e podemos ainda hoje notar os frutos dela. Com a notícia bombástica de que Avatar, épico de ficção científica de James Cameron era um projeto de mais de US$ 400.000.000,00 todos os holofotes no mundo se voltaram naquela direção e ao final Cameron pode orgulhosamente proclamar seu reinado – ou ao menos dividi-lo com outro gênio das telonas – ao lado de Peter Jackson (lembra-se pouco do seu Senhor dos Anéis?). Esses podem dizer: O impossível só é considerado impossível até alguém – ou nesse caso, ELES – mostrar que é possível. Eles realmente foram onde ninguém jamais conseguiu.

Demorou, mas voltou!

O nome do diretor, produtor e roteirista canadense de 56 anos, famoso por seus sucessos de bilheteria: O exterminador do futuro (The terminator, 1984), O exterminador do futuro 2 – o julgamento final (The terminator 2 – judgment day,1991), Aliens – O resgate (Aliens, 1986) entre tantos outros como Titanic (Titanic, 1997) considerado o longa com a maior bilheteria de todos os tempos com US$ 1.842.874.955,00. Cameron volta mais de 10 (eu disse dez!) anos depois com mais um projeto revolucionário para a indústria cinematográfica: Avatar.

Abra sua mente.

A frase imortalizada na voz de Morpheus – personagem do longa Matrix (The matrix,1999) se encaixa perfeitamente como sugestão aqui quando começamos a “digerir”o roteiro, vamos lá: No ano 2154 DC uma corporativa humana de mineração contrata marines para arrasar Pandora - uma lua de Polifemo, orbitando a mais de 4.4 anos-luz da terra - a terra dos Na'vi, para que eles possam saquear os depósitos minerais valiosos em suas terras em busca de um precioso minério chamado Unobtanium. Pandora é habitada por uma espécie indígena paleolítica de humanóides chamada Na'vi. Medindo quase 3 metros de altura, com caudas, ossos naturalmente reforçados com fibra de carbono e pelo bioluminescente, os Na'vi vivem em harmonia com a natureza perfeitamente concebida através do poder de super computadores, aplicativos criados exclusivamente para o filme e da mente de Cameron, claro... O resultado é nada menos que fascinante. Florestas verdejantes, árvores gigantescas à centenas demetros do chão. Montanhas irregulares surgem como pontos flutuantes em meio ao céu meticulosamente perfeito. Mas não se engane, este não é um ambiente sereno, não mesmo. Criaturas caçam suas presas nos blocos. Predadores camuflados por entre a vegetação em busca de alimento, monstros alados enornes. Pisque os olhos e você perderá algum detalhe da biodiversidade… Em meio a este sem fim de acontecimentos os pesquisadores humanos coordenados por Dra. Grace Augustine (Sigournei Weaver) num esforço diplomático criaram o programa Avatar - híbridos humano-Na'vi geneticamente modificados. Um humano que compartilhe material genético com um Avatar é mentalmente ligado e pode se conectar através de conexões neurais e assim os seres humanos poderiam se comunicar com os nativos e chegar a uma solução sem confrontos já que os humanos e os Na’vi não gozam de convivência pacifica. Jake Sully (Sam Worthington, de Fúria de Titãs) é um ex-marinheiro paraplégico cujo irmão gêmeo,Thomas, era um cientista do programa Avatar. Quando Thomas morre, Jake é chamado para assumir seu lugar no programa devido a compatibilidade com o Avatar do irmão. Ufa…

Interpretações high tec?

Pouco se tem a dizer a respeito dos atores, mesmo porque todos os olhos estão voltados para o deslumbre visual que é o universo criado por Cameron. Ainda assim, com um pouco de atenção e boa vontade podemos perceber coisas interessantes como por exemplo o protagonista que não é nenhum primor em atuação mas também não compromete o andamento do longa e pode ser avaliado tranquilamente como “convincente”, não mais que isso. Convincente também é o meio termo em que se encaixa o resto do elenco sem maiores destaques, com exceção de Stephen Lang e seu fantástico Coronel Quaritch com todos os ingredientes que precisa ter um bom vilão para fazer sucesso. E nesse caso além de competente em seu papel, Lang nos trás algo mais: um olhar diferenciado, um comprometimento, uma expressão de poder estampada em sua face a todo instante. Consagra-se com um dos melhores vilões da história recente do cinema.
Um é pouco, dois é bom, três é necessário! Em uma época de grandes trilogias de sucesso - Matrix, Senhor dos anéis, Bourne, Star wars, Piratas do Caribe – é quase uma obrigação que o “Rei do mundo” James Cameron se pronunciasse a respeito da continuidade da história e ele não se omitiu, logo após o lançamento do seu mega projeto o cineasta foi procurado pela grande mídia e não negou a sua intenção em emplacar mais dois longas contando a saga dos humanos na terra Na’vi, mas que isso só aconteceria se o retorno de Avatar fosse satisfatório – e quem ousaria duvidar do sucesso de Avatar?


Bem, parece que Jake e suas contrapartes hibrídas passarão mais alguns anos desfrutando da beleza – e dos perigos de Pandora. Sorte a nossa!

Avatar - ficha técnica
  • Titulo original: Avatar
  • País: EUA
  • Ano: 2009
  • Duração: 152 min
  • Gênero: Ação/Ficção científica
  • Direção: James Cameron
  • Elenco: Sam Worthington, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Giovanni Ribisi, Joel Moore.
  • Avaliação 9,0

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O mistério de Feiurinha | crítica

Xuxa está de volta com seu “circo dos horrores”

Em 1983 eu não tinha nascido ainda e não pude presenciar o início da carreira cinematográfica da loura com o “O trapalhão na Arca de Noé”. Nada demais se levarmos em consideração que no próximo ano viria mais um, e no ano seguinte também e na sequencia idem... Essa maldição no pior estilo O grito (The grudge, 2004) nos persegue sem qualquer piedade e nos causa sustos terríveis todos os finais de ano.

O tal filme ao qual eu me referi acabou levando mais de 2 milhões de pessoas aos cinemas, (numa época em que o cinema nacional vivia numa espécie de UTI do mercado) e como a maldição do filme mencionado acima, não parou de crescer.

O mágico de Oróz (1984), O reino da fantasia (1985), o sofrível Super Xuxa contra Baixo astral (1988) e A princesa Xuxa e os trapalhões (1989)... Nenhum deles poderia nos preparar para o que estava por vir, era uma espécie de clímax... Lua de Cristal estreou no final de 1990 e levou mais de 5 milhões de pessoas aos cinemas – não me pergunte como.

Quase dez anos se passaram sem nenhuma aberração cinematográfica da loura e todos já viviam comodamente, sem suas vidas serem afetadas por essas piadas de mal gosto – parecia enfim que a Maria da Graça (não confundir com dês graça) havia notado: sua vocação não era o cinema – e o que seria então?

Em 1999 o pálido 007 – O mundo não é o bastante (the world is not enough) tinha seu brilho ofuscado pelo inovador A Bruxa de Blair (the Blair witch project); num ano que pudemos presenciar ainda a bela parceria entre Sam Mendes e Kevin Spacey em Beleza americana (American beauty), o divertidíssimo American Pie (idem), o excêntrico A tempestade do século (the Century storn) de Stephen King e aquele que se tornaria o novo clássico do cinema moderno: Matrix (idem); eis que aparece um nome que faria até o Chuck Nórris tremer: Xuxa requebra – ela estava de volta... E continuou ano após ano nos perseguindo com suas “obras”. De 1999 até a data atual foi um “filme” a cada final de ano e cá estamos nós. Felizmente os seres humanos da década de 90 em diante provaram ser inteligentes, aprendendo com os erros da década passada e os filmes da loura tem caído vertiginosamente anos após ano – o último: Sonho de menina não alcançou nem os 200 mil espectadores...

Aperte os cintos, o piloto sumiu

Em 2009 Xuxa volta com seu mais novo circo de horrores: O mistério de Feiurinha (idem). Como neste momento em que escrevo, o longa ainda esta em cartaz, tendo estreado à poucos dias, não posso dar números exatos sobre o retorno financeiro do filme. Mas posso dizer o que vi e o que ouvi – não de adultos, que assumidamente não vêem mais nenhuma graça na Rainha e sim de seus “fãs” e a opinião dos baixinhos não é tão diferente da nossa, acredite. Xuxa parece que hoje vive no tal mundo da imaginação que deu título a mais um programa da loura que também não vingou... O mistério de Feiurinha é apenas o reflexo disso: Texto sem sentido, direção fraca, atuações que beiram o ridículo, edição de quinta categoria, ação tão pálida quanto os fantasmas das animações do Sooby doo e uma trilha sonora análoga à dos antigos games do Atari, nos fazem pensar: O que estamos fazendo nesta sala?

Ao pé da letra

O que acontece com as princesas e seus príncipes depois do ''viveram felizes para sempre''? As princesas têm filhos, sogra, cunhadas. Os príncipes engordaram. Os casais têm conflitos matrimoniais, mas continuam felizes. Entretanto, prestes a completar bodas de prata, Cinderela, Rapunzel, Branca de Neve, Bela (da Fera), Bela Adormecida e Chapeuzinho Vermelho estão ameaçadas de desaparecer, depois que a princesa Feiurinha sumiu misteriosamente do mundo encantado e ninguém se lembra da história dela. Para salvar o reino e continuarem sendo felizes para sempre, elas embarcam numa aventura “emocionante” para encontrar Feiurinha. Fadas, bruxas, príncipes, encantos e feitiços se misturam nessa fábula surpreendente, repleta de magia e diversão.

Fiz questão de apenas copiar e colar a sinopse oficial apenas para mostrar que o roteiro nem é tão ruim, acredito inclusive que seria bom entretenimento se fosse conduzido por outra equipe e sem a Xuxa no papel principal, claro. O que mais posso falar além do que já se mostra bem claro? Não é novidade pra ninguém que a única intenção dos filmes da tal Rainha dos baixinhos é apenas montar uma passarela por onde os seus amigos famosos (cantores, apresentadores, atores do tipo “modinha”, ex namorados e por aí vai) possam passear sem nenhum compromisso. Nesse caso em especial havia a necessidade de “apresentar” a sua cria nas telonas. Chega a ser constrangedor todo o esforço por parte de todos para encobrir a falta de talento da menina e durante cerca de 90 min a equipe de Yamazake questiona o intelecto de nossas crianças e consome toda a paciência dos adultos.

Até quando?

Iniciei meu texto fazendo algumas comparações entre O mistério de Feiurinha e a série de filmes de horror japonês O grito. Entretanto poderia comparar com quaisquer outros títulos igualmente horrendos – não por se tratar de um filme de terror mas por se tratar de um filme assustadoramente ruim. Resta aos pais tentar mentir para seus filhos dizendo que eles não verão mais aquele tipo de coisa nos cinemas – mentira, pois sabemos que em 2010 a maldição estará de volta com algum outro nome tipo: Xuxa no planeta Xuxecho ou Xuxinha contra os monstros mau humorados, sei lá. Dessa turma podemos esperar qualquer coisa e a única forma de nos livrarmos dessa perseguição sádica é mostrar nas bilheterias que nós não queremos mais esses “presentes de grego” nos nossos natais. Contamos com vocês.

Outras críticas de filmes do blog. Leia:

| Invasão do mundo: Batalha de L.A. | Bruna Surfistinha |
[ Todas as críticas ]



Globo de ouro 2010 - indicados


Vai começar!!


O prêmio do cinema e da TV - conhecido no mundo inteiro por acender as turbinas para a grande festa do Oscar - dado anualmente pela Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood anunciou na manhã de 13/12/2009, em Los Angeles, todos os indicados.

Amor sem Escalas, a nova comédia dramática do diretor de Obrigado por Fumar, Jason Reitman, é o líder de indicações ao Globo de Ouro 2010, com seis. Confira a lista dos indicados:


Melhor atriz coadjuvante

  • Mo-Nique, por Preciosa
  • Julianne Moore, por A Single Man
  • Anna Kendrick, por Amor sem Escalas
  • Vera Farmiga, por Amor sem Escalas
  • Penelope Cruz, por Nine

Melhor ator coadjuvante

  • Matt Damon, por Invictus
  • Stanley Tucci, por Um Olhar do Paraíso
  • Christopher Plummer, por The Last Station
  • Christopher Waltz, por Bastardos Inglórios
  • Woody Harrelson, por The Messenger

Melhor filme animado

  • Coraline e o Mundo Secreto
  • O Fantástico Sr. Raposo
  • Tá Chovendo Hambúrguer
  • A Princesa e o Sapo
  • Up - Altas Aventuras

Melhor filme estrangeiro

  • Baaria
  • Abraços Partidos
  • The Prophet
  • The White Ribbon
  • The Maid

Melhor canção original

  • "I Will See You" (Avatar)
  • "The Weary Kind" (The Crazy Heart)
  • "Winter" (Entre Irmãos)
  • "Cinema Italiano" (Nine)
  • "I Want to Come Home" (Simplesmente Complicado)

Melhor trilha sonora

  • Michael Giacchino, por Up - Altas Aventuras
  • Marvin Hamlisch, por O Desinformante!
  • James Horner, por Avatar
  • Abel Krozeniowski, por A Single Man Karen
  • O. Carter Burwell, por Onde Vivem os Monstros

Melhor ator em comédia ou musical

  • Matt Damon, por O Desinformante!
  • Daniel Day Lewis, por Nine
  • Robert Downey Jr., por Sherlock Holmes
  • Joseph Gordon Levitt, por 500 Dias com Ela
  • Michael Stuhlbar, por A Serious Man

Melhor atriz em comédia ou musical

  • Sandra Bullock, por A Proposta
  • Marion Cotillard, por Nine
  • Julia Roberts, por Duplicidade
  • Meryl Streep, por Simplesmente Complicado
  • Meryl Streep, por Julie e Julia

Melhor ator em drama

  • Jeff Bridges, por A Crazy Heart
  • George Clooney, por Amor sem Escalas
  • Colin Firth, por A Single Man
  • Morgan Freeman, por Invictus
  • Tobey Maguire, por Entre Irmãos

Melhor atriz em drama

  • Emily Blunt, por The Young Victoria
  • Sandra Bullock, por The Blind Side
  • Helen Mirren, por The Last Station
  • Carey Mulligan, por Educação
  • Gabire Sadibe, por Preciosa

Melhor comédia ou musical

  • 500 Dias Com Ela
  • Se Beber, Não Case
  • Simplesmente Complicado
  • Julie e Julia
  • Nine

Melhor filme dramático

  • Avatar
  • Guerra ao Terror
  • Bastardos Inglórios
  • Preciosa
  • Amor sem Escalas

Melhor diretor

  • Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror
  • James Cameron, por Avatar
  • Clint Eastwood, por Invictus
  • Jason Reitman, por Amor Sem Escalas
  • Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios

A cerimônia de 2010 do Globo de Ouro acontecerá em 17 de janeiro e a exibição, nos EUA, acontecerá pela rede NBC.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Valeagro - Dia das Crianças


Peça produzida para a Valeagro. texto e Layout de minha autoria.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Batman, O cavaleiro das trevas - crítica

Why so Serious?


O texto que estava presente em toda a campanha de marketing de Batman – O cavaleiro das trevas (Batman – The Dark Knights, 2008) já parecia muito conveniente por dar ênfase na contrapart
e do homem morcego mas confesso que tremi na cadeira quando escutei na voz de Health Ledger - acho que faria tremer até o mesmo personagem interperetado por Nicholson em Batman – o filme...

Porquê tão sério?


Pergunta interessante afinal se levarmos em consideração os seguidos fiascos que Wayne e seu mordomo enfrentaram ao longo do tempo. Todos foram grandes piadas.
Desde 89 com um caríssimo elenco e com a profundidade de dois dedos d’água, Batman – o filme do até então desconhecido Tim Burton trouxe um Batman totalmente diferente de tudo o que havia sido feito até então; parecia promissor quando disseram que seria baseado em um dos “livros sagrados” do homem morcego (me refiro a graphic novel Batman – O cavaleiro das trevas de Frank Miller publicado 4 anos antes). Porém quando o longa estreou não foi isso que os presentes nas salas de projeção viram.

3 anos depois chega aos cinemas Burton – o retorno! Ops quis dizer Batman - o retorno (Batman Returns, 1992), agora sim. Desta vez parecia que a coisa ia dar certo! Os cenários mais bem acabados e a fotografia mais sombria mostrava que o diretor tinha aceitado algumas sugestões dos produtores - e dos fãs, claro. Digamos que graças a isso, o “retorno” do Batman é menos ruim que o filme anterior. Burton desistiu também de tentar acompanhar o ritmo de Miller (intelectualmente impossível para ele) e decidiu basear o longa num capítulo igualmente horrível da telessérie do morcegão dos anos 60 - haja paciência!

Mais 3 anos se passam e eis que se apresenta o próximo palhaço da fila – e não estou falando do novo ator que iria interpretar o coringa. Com vocês o estadosunidense Joel Schumacher com seu “colorido” Batman Eternamente (Batman Forever, 1995). Schumacher tinha mais bagagem que o seu predecessor é verdade; já tinha assinado a direção de pelo menos 11 títulos entre eles os interessantes “Os garotos perdidos” (The lost boys, 1987) e “Um dia de fúria” (Falling down, 1993). Mas, mais uma vez um investimento inacreditável igualado apenas pelo também inacreditável fracasso. E o pior, Schumacher conseguiu a façanha de ser menos eficiente que seu compatriota. Que papelão...
Como se não bastasse o festival de horrores conduzido pelo moço, alguém teve a coragem de entrega-lo a missão de mais uma vez (assim como Burton) tentar. Sem com
entários...
Em 97 a presepada de Schumacher chegas as telonas: Batman & Robin (Batman & Robin, 1997) surpreendeu a todos por mostrar que era possível sim fazer algo pior que Batman Eternamente e a impressão é que Schumacher conseguiu enfim estender o seu show de fanfarronices. Me perdoem, mas não tenho saco p/ escrever nada a respeito desta catástrofe.


Nolan e a Nova Era


Quase uma década depois todos tínhamos a obrigação de ir ver o novo Batman. Esse já tinha começado bem a partir do título: Batman Begins (Batman Begins, 2005). A intenção era mesmo colocar o passado da cinessérie numa enorme caixa e arremessá-la num lugar bem escondido da Bat-caverna. Agora o controle estava nas mãos de Christopher Nolan, cineasta que já tinha ganho alguma credibilidade ao dar vida aos ótimos Amnésia (memento, 2000) e insônia (insonia, 2002) mas ainda assim a “maldição do morcegão” não saía de minha cabeça. Afinal é muito difícil mesmo conseguir mostrar nos cinemas o que só os quadrinhos conseguiam. Bem, e havia mais um agravante: Nolan sempre declarou não ser leitor de quadrinhos... Nessa hora nós poderíamos pensar como o Capitão Nascimento e falar em alto bom som: VAI DAR MERDA CAPITÃO!
Então o Nolan novamente nos surpreende mas desta vez positivamente afinal, fez exatamente o que queria fazer o Burton. Deu vida a um livro sagrado do homem morcego; mais precisamente "Batman – Ano 1", mas também se utilizou de outras obras consagradas do herói. O resultado foi inacreditavelmente bom!

Esqueça então todos os equívocos dos outros títulos: as cenas sofríveis de ação protagonizadas por Michael Keaton em Batman – o filme, ou a adaptação inescrupulosa de Batman – O retorno. Esqueça também o ensaio carnavalesco dividido em duas partes de Schumacher em Batman eternamente e Batman & Robin. Agora enfim parecia que as coisas iam dar certo para o tão atormentado filho de Gotham.


"A supremacia Batman"


O filme acerta em tudo, e falar dele é chover no molhado. O longa beira a perfeição se colocando na posição de um dos melhores filmes policiais de todos os tempos. Palmas para o Nolan então. Em 2008 (mais precisamente 18/07/2008) estreou a continuação de Batman Begins com uma missão ainda maior: a de superar seu predecessor. E como isso era quase impossível, muitos duvidaram. Eu não. E a espera valeu a pena. Batman – O cavaleiro das trevas (Batman – The dark knight, 2008) supera sim Batman Begins e vai além. Eleva o padrão que o próprio Nolan havia estabelecido e nos faz delirar. Interessante pensar que um filme de mais de 150 minutos nos prenda dessa forma... O Batman interpretado por Bale agora muito mais desenvolvido, nos conduz numa trama hora aterrorizante, hora dramática, hora pirotécnica; e acredite, tudo isso na mais perfeita sintonia. Parece até uma piada – mas não as do coringa, claro. No filme, Wayne agora está muito mais maduro e sabe de suas capacidades algo do tipo Neo em Matrix Reloaded, entende? A Gotham que vimos antes também não é mais a mesma, agora os cidadãos depositam as suas esperanças no cavaleiro das trevas e no novo aliado, o promotor de justiça Harvey Dent (Aaron Eckhart). Mas tudo tem seu preço e Batman começa a despertar o que há de mais excêntrico nos habitantes do local: seja os que se fantasiam de morcego para plagiar os atos de bravura do moço ou os que querem apenas ver o “circo pegar fogo” como é o caso do coringa claro. E nesse filme não temos apenas mais um coringa e sim “o coringa”. Health Ledger está magnífico no papel do maquiado piadista, rouba a cena a todo momento. Ledger parece mesmo ter entendido a psique doentia do homem que se esconde por trás da maquiagem, é certamente um dos melhores trabalhos do ator que encerrou sua carreira realmente com chave de ouro, sem puxa-saquismos. O gerenciamento de personagens que causou tantos problemas nos outros filmes aqui está perfeito, o elenco é extraordinário até na substituição da incompetente Katie Holmes pela convincente Maggie Gyllenhaal. De resto é o mesmo elenco forte do filme anterior. Pensa que acabou? Que nada. O final nos guarda uma surpresa, um desfecho com a cara de Nolan.


Batman, o cavaleiro das trevas - ficha técnica

  • Título original: Batman - the dark nights
  • País: EUA
  • Ano: 2008
  • Duração: 152 min.
  • Gênero: Ação / Aventura
  • Direção: Christopher Nolan
  • Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Gary Oldman, Maggie Gyllenhaal e Michael Caine
  • Avaliação: 9,0