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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Batman, O cavaleiro das trevas - crítica

Why so Serious?


O texto que estava presente em toda a campanha de marketing de Batman – O cavaleiro das trevas (Batman – The Dark Knights, 2008) já parecia muito conveniente por dar ênfase na contrapart
e do homem morcego mas confesso que tremi na cadeira quando escutei na voz de Health Ledger - acho que faria tremer até o mesmo personagem interperetado por Nicholson em Batman – o filme...

Porquê tão sério?


Pergunta interessante afinal se levarmos em consideração os seguidos fiascos que Wayne e seu mordomo enfrentaram ao longo do tempo. Todos foram grandes piadas.
Desde 89 com um caríssimo elenco e com a profundidade de dois dedos d’água, Batman – o filme do até então desconhecido Tim Burton trouxe um Batman totalmente diferente de tudo o que havia sido feito até então; parecia promissor quando disseram que seria baseado em um dos “livros sagrados” do homem morcego (me refiro a graphic novel Batman – O cavaleiro das trevas de Frank Miller publicado 4 anos antes). Porém quando o longa estreou não foi isso que os presentes nas salas de projeção viram.

3 anos depois chega aos cinemas Burton – o retorno! Ops quis dizer Batman - o retorno (Batman Returns, 1992), agora sim. Desta vez parecia que a coisa ia dar certo! Os cenários mais bem acabados e a fotografia mais sombria mostrava que o diretor tinha aceitado algumas sugestões dos produtores - e dos fãs, claro. Digamos que graças a isso, o “retorno” do Batman é menos ruim que o filme anterior. Burton desistiu também de tentar acompanhar o ritmo de Miller (intelectualmente impossível para ele) e decidiu basear o longa num capítulo igualmente horrível da telessérie do morcegão dos anos 60 - haja paciência!

Mais 3 anos se passam e eis que se apresenta o próximo palhaço da fila – e não estou falando do novo ator que iria interpretar o coringa. Com vocês o estadosunidense Joel Schumacher com seu “colorido” Batman Eternamente (Batman Forever, 1995). Schumacher tinha mais bagagem que o seu predecessor é verdade; já tinha assinado a direção de pelo menos 11 títulos entre eles os interessantes “Os garotos perdidos” (The lost boys, 1987) e “Um dia de fúria” (Falling down, 1993). Mas, mais uma vez um investimento inacreditável igualado apenas pelo também inacreditável fracasso. E o pior, Schumacher conseguiu a façanha de ser menos eficiente que seu compatriota. Que papelão...
Como se não bastasse o festival de horrores conduzido pelo moço, alguém teve a coragem de entrega-lo a missão de mais uma vez (assim como Burton) tentar. Sem com
entários...
Em 97 a presepada de Schumacher chegas as telonas: Batman & Robin (Batman & Robin, 1997) surpreendeu a todos por mostrar que era possível sim fazer algo pior que Batman Eternamente e a impressão é que Schumacher conseguiu enfim estender o seu show de fanfarronices. Me perdoem, mas não tenho saco p/ escrever nada a respeito desta catástrofe.


Nolan e a Nova Era


Quase uma década depois todos tínhamos a obrigação de ir ver o novo Batman. Esse já tinha começado bem a partir do título: Batman Begins (Batman Begins, 2005). A intenção era mesmo colocar o passado da cinessérie numa enorme caixa e arremessá-la num lugar bem escondido da Bat-caverna. Agora o controle estava nas mãos de Christopher Nolan, cineasta que já tinha ganho alguma credibilidade ao dar vida aos ótimos Amnésia (memento, 2000) e insônia (insonia, 2002) mas ainda assim a “maldição do morcegão” não saía de minha cabeça. Afinal é muito difícil mesmo conseguir mostrar nos cinemas o que só os quadrinhos conseguiam. Bem, e havia mais um agravante: Nolan sempre declarou não ser leitor de quadrinhos... Nessa hora nós poderíamos pensar como o Capitão Nascimento e falar em alto bom som: VAI DAR MERDA CAPITÃO!
Então o Nolan novamente nos surpreende mas desta vez positivamente afinal, fez exatamente o que queria fazer o Burton. Deu vida a um livro sagrado do homem morcego; mais precisamente "Batman – Ano 1", mas também se utilizou de outras obras consagradas do herói. O resultado foi inacreditavelmente bom!

Esqueça então todos os equívocos dos outros títulos: as cenas sofríveis de ação protagonizadas por Michael Keaton em Batman – o filme, ou a adaptação inescrupulosa de Batman – O retorno. Esqueça também o ensaio carnavalesco dividido em duas partes de Schumacher em Batman eternamente e Batman & Robin. Agora enfim parecia que as coisas iam dar certo para o tão atormentado filho de Gotham.


"A supremacia Batman"


O filme acerta em tudo, e falar dele é chover no molhado. O longa beira a perfeição se colocando na posição de um dos melhores filmes policiais de todos os tempos. Palmas para o Nolan então. Em 2008 (mais precisamente 18/07/2008) estreou a continuação de Batman Begins com uma missão ainda maior: a de superar seu predecessor. E como isso era quase impossível, muitos duvidaram. Eu não. E a espera valeu a pena. Batman – O cavaleiro das trevas (Batman – The dark knight, 2008) supera sim Batman Begins e vai além. Eleva o padrão que o próprio Nolan havia estabelecido e nos faz delirar. Interessante pensar que um filme de mais de 150 minutos nos prenda dessa forma... O Batman interpretado por Bale agora muito mais desenvolvido, nos conduz numa trama hora aterrorizante, hora dramática, hora pirotécnica; e acredite, tudo isso na mais perfeita sintonia. Parece até uma piada – mas não as do coringa, claro. No filme, Wayne agora está muito mais maduro e sabe de suas capacidades algo do tipo Neo em Matrix Reloaded, entende? A Gotham que vimos antes também não é mais a mesma, agora os cidadãos depositam as suas esperanças no cavaleiro das trevas e no novo aliado, o promotor de justiça Harvey Dent (Aaron Eckhart). Mas tudo tem seu preço e Batman começa a despertar o que há de mais excêntrico nos habitantes do local: seja os que se fantasiam de morcego para plagiar os atos de bravura do moço ou os que querem apenas ver o “circo pegar fogo” como é o caso do coringa claro. E nesse filme não temos apenas mais um coringa e sim “o coringa”. Health Ledger está magnífico no papel do maquiado piadista, rouba a cena a todo momento. Ledger parece mesmo ter entendido a psique doentia do homem que se esconde por trás da maquiagem, é certamente um dos melhores trabalhos do ator que encerrou sua carreira realmente com chave de ouro, sem puxa-saquismos. O gerenciamento de personagens que causou tantos problemas nos outros filmes aqui está perfeito, o elenco é extraordinário até na substituição da incompetente Katie Holmes pela convincente Maggie Gyllenhaal. De resto é o mesmo elenco forte do filme anterior. Pensa que acabou? Que nada. O final nos guarda uma surpresa, um desfecho com a cara de Nolan.


Batman, o cavaleiro das trevas - ficha técnica

  • Título original: Batman - the dark nights
  • País: EUA
  • Ano: 2008
  • Duração: 152 min.
  • Gênero: Ação / Aventura
  • Direção: Christopher Nolan
  • Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Gary Oldman, Maggie Gyllenhaal e Michael Caine
  • Avaliação: 9,0

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