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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Angra, Aqua - crítica

A turma de Kiko e Edu lançam seu novo disco de... literatura?


Olha, antes de mais nada é importante que se diga que não é nada inovador (ou tão fora do comum) bandas de Metal adaptar poemas, contos, livros ou qualquer outra coisa escrita por algum maluco que imagine um monte de coisas que só existem mesmo em suas mentes doentias – na real, o Heavy Metal é terreno fértil para esse tipo de coisa. Aliás, não é querendo puxar a sardinha pro nosso lado (dos Roqueiros) mas normalmente esse tipo de trabalho se encaixa bem com esse tipo de som. É um som refinado mesmo...

Pois bem. O conceito do novo álbum da banda veio daquela que é considerada a última peça que Shakespeare escreveu, A Tempestade. A obra trata de temas bem conhecidos nas peças de meu xará como traição, amor, vingança, conspirações e um monte de tralha do século XVII.

A próspera história do Próspero.

A peça conta a tragédia de Próspero, um Mangangão de antigamente tirado a catimbozeiro, que é passado pra trás por seu irmão Antonio, que quer ocupar seu lugar no cenário político local – bem original, não? Após uma puta trairagem de seu irmão, Próspero e sua filha Miranda são açoitados numa ilha lá na casa da porra – que serve de cenário para a peça.

Quando o Rei da área, e sua patota retornam de uma viagem marítima e dão uma passadinha na ilha de Próspero, uma tempestade daquelas (criada pela magia do ilhado) abate as embarcações dos caras e fazem com que seus ocupantes sejam trazidos, pelo mar, até a ilha, onde Próspero pretende completar sua vingança. E ela será maligna cara, literalmente.

Sem arrodeios

Mas, vamos deixar a historinha pra lá e ir direto ao ponto. Viderunt Te Aquae e Arising Thunder começam mais ou menos nessa parte da história em que eu parei. As duas primeiras faixas tem como fundo a tempestade mandada por Próspero (se ligou nos trovões na faixa 2?) para tocar o terror nos navios reais e arremessar à ilha os seus desafetos. Viderunt Te Aquae é aquela velha conhecida musiquinha instrumental que forra o terreno para a faixa seguinte – como Deus le Volt! e In Excelsis.

Arising Thunder foi o primeiro single do álbum, totalmente mergulhada no Power Metal cheio de guitarrinhas frenéticas, pedais dulplos e com um refrão bacana e pegajoso – a todo momento me pego batucando ou assobiando essa bagaça.

Awake From Darkness é um dos melhores momentos do álbum: o riff é muito bom e nos trás de volta ao som que estamos acostumados a ouvir. Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt só não conseguiram fazer chover com suas guitarras aí nessa parte – até porque só quem sabe armar temporal nesse álbum é o Próspero. Ah, antes que eu me esqueça tem uns violinos e uns pianinhos pra temperar melhor a música e fechar com chave de ouro.

Lease of Life muda completamente a pegada pesada do início de Aqua para contar melhor a história – que se alterna entre altos e baixos, claro. Essa música aí acho que tinha mesmo a intenção de enfiar a cara de quem ta escutando na atmosfera de A Tempestade contando o encontro do filho do Rei, com a filha de Próspero. O carinha, após a chuva braba, cai nos encantos de Arial, um fantasma enviado por Próspero, que o faz ouvir vozes de umas fadinhas.

Ainda tá lendo? vai escutar pô.

Pra finalizar, a impressão que ficou em mim é que Aqua vai mesmo surpreender algumas pessoas – principalmente aqueles que achavam que esse álbum seria uma merda. Qualquer ouvinte mesmo com seu neurônio solitário poderia deduzir que seria impossível contar uma história tão complexa quanto essa sem dar uma quebrada no som. Seria impossível ficar o tempo todo “de pé embaixo". As mudanças bruscas servem exatamente para retratar as diversas nuances da história do Shakespeare – recomendo inclusive aos ouvintes e/ou fãs que leiam A Tempestade (facilmente encontrada no Google), até para poder entender melhor o que os caras querem passar – sem isso acho que as faixas podem ficar sem sentido.

Esta é a desvantagem de se adaptar uma obra, e retratá-la através de um álbum: se os músicos não conseguirem retratar o contexto real da obra original, o disco perde o sentido, e acaba transformando todo o potencial do projeto em um amontoado de tralhas sem lógica. Pensando nisso, não há muito o que pensar – literalmente. Entendeu? Enfim, Aqua é fodão mesmo, vale muito a pena escutar e quem não concordar é porque deve ta escutando Tati Quebra-barraco (ou coisa pior) agora e perdeu sua capacidade de separar o que presta do que não presta.

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Informações úteis:

  • Titulo: Aqua
  • Artista: Angra
  • Ano: 2010
  • País: Brasil
  • Número de faixas: 11
  • Avaliação: 9 (Puta que o pariu!!)
Informações (in)útéis

Sobre o Álbum:
  • Quando escutei? 09/2010
  • Quantas vezes? Milhares
Sobre o texto:
  • Quando escrevi? 18/09/2010
  • Onde estava? Em casa
  • O que assistia? Futebol
  • O que ingeria? Cervejaaaaaa

5 comentários:

  1. Literatura e Rock juntos. A junção das coisas que mais curto. Shakespeare, é demais mesmo \o/

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  2. O Angra mostrou mais uma vez a habilidade para adaptar obras literárias. O álbum é quase perfeito. Pra mim só fica atrás do Temple of Shadows.

    Abraço.

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  3. É curiso lebro de quando ouvi o primeiro álbum do Angra, foi como um amor à primeira vista, através deste tive acesso aos mais antigos e até ao Viper, que pode se dizer foi o embrião do Angra... mas tem uma coisa a empolgação com a banda, assim como com tantas outras de metal melódico e power metal, não duram mais que algumas semanas, por algum motivo os discos se tornam cansativos pra mim... mas não quero com isso tirar o mérito de nenhum das bandas e quanto a técnica, nem posso discutir, os caras são foda mesmo!

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  4. O Angra Ganhou um enorme fôlego com a chegada do Edu. É uma banda muito sólida pois seus integrantes vibram na vibe...

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