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sábado, 29 de maio de 2010

Não existe "metade azul"


Por Cristian Bonatto

Cresci sendo da minoria. Na década de 80 eu estava entre os 40% que levantavam o braço quando uma professora qualquer, na busca da simpatia da turma, começava seu primeiro dia de aula com a pergunta “… e quem torce pro Grêmio?”. Isso que o Grêmio recém tinha apresentado Porto Alegre para o mundo. O quadro só começou a mudar após o Bi da América em 1995 e a consolidação veio apenas no Bi Brasileiro de 1996.

Desde então, são 14 anos que a torcida do Grêmio é soberana no estado e vê crescer pagos afora seu exército além das linhas inimigas pelo Brasil. Manda no RS e tem a maioria também entre os clubes de fora dos domínios do EIXO. Neste período, a maioria foi levemente ameaçada apenas na época que o mundo ficou sabendo que existia outro time na cidade do Grêmio. Ficou só na ameaça, mesmo acrescendo-se a isto o fato contundente do rebaixamento. Disseram então que a nova geração seria colorada, era questão de tempo para a torcida do Grêmio perder a hegemonia. Pois as crianças cresceram. E sem que elas tenham visto o Grêmio campeão de alguma coisa, a soberania tricolor resiste.

Depois da milionésima pesquisa do milionésimo instituto a demonstrar que a torcida do no país, é 40% maior que a do co-irmão, já seria uma hora razoável para que a imprensa, que não quer ser chamada de vermelha, começasse a parar de MENTIR quando usa expressões como “metade azul/metade vermelha” ou “O clássico que divide o RS”. Por mais importante que seja o inter na vida do Grêmio e vice-versa, por mais que isso seja uma característica dos gaúchos, por mais que isso torne o GRE-nal o clássico de maior rivalidade do mundo, uma falsa verdade como esta só PREJUDICA o Grêmio.
É fato que a maior dificuldade de Grêmio e inter em trazer mais e melhores patrocínios está na ferrenha rivalidade, vista como meio-tiro no pé por qualquer empresa disposta a vincular sua marca a dois dos mais vitoriosos clubes do Brasil, mas a verdade é que este impecílio, para o Grêmio, poderia ser menor. O pensamento superficial é de que ou se patrocina os dois ou nenhum. Por conta disto, uma proposta que chega a mesa da presidência do Grêmio, já vem pela metade do valor que a marca Grêmio merece, pois a outra metade ficou na mesa da Padre Cacique. Um mito de divisão com objetivos simpáticos e motivado pelo receio por parte da mídia, quase impossível de ser desmanchado. Uma falsa verdade que transforma o Grêmio em refém e o co-irmão em parasita.

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