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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Santos 3 vs 1 Grêmio - lições


Por Cristian Bonatto

Tudo começou pelas arquibancadas do tão modesto como emblemático estádio da Vila Belmiro, local onde o Grêmio está fadado pelos deuses do futebol a não vencer. Enquanto a torcida local não acompanhava a execução do seu hino, preferindo ver Pelé no telão, a torcida do Grêmio entoava o Hino da República Riograndense, para só então os brasileiros lembrarem que tem o seu. E disseram que o desrespeito foi nosso.

A lição continuou em campo. Uma torcida que foi convocada pelo seu técnico a ser pelo menos um dia parecida com a do Grêmio, não conseguia ser sequer igual a do São Caetano, tamanho o terror que tomava conta de seus nervos pelo que viam. O Grêmio mandou na vila por mais tempo que mandou em Porto Alegre. Transformava mais uma vez o santástico na Portuguesa Santista. A defesa gremista era reserva, mas o santos não conseguia passar pelo meio de campo. Na primeira tentativa de gracinha, Neymar tomou o único sacode e foi colocado de castigo no “cantinho do pensamento”, tradicional local de reflexão para crianças malcriadas, até o fim do jogo. A partir dali o Santos viu que não seria desta forma que iriam vencer o Grêmio.

O Grêmio deixava o Santos tonto, ganhava quase todas as bolas do meio e quando não ganhava, um Santos atônito logo a perdia. Um Rodrigo Mancha, vetado, assistia o jogo em sua casa se sentindo injustiçado, “Pô, isso aí eu também faço”. As crianças da vila choravam COM suas mães vendo. O único adversário do Grêmio era a zica que o acompanhou por toda a semana. Já lhe tinha tirado meio time titular para o jogo e agora se encarregava de fazer a bola não entrar, por mais que o time atacasse e finalizasse, nem um golzinho contra pró entraria. Tudo bem, o empate era nosso e só o Grêmio jogava. Neymar, Robinho, André, Ganso eram tudo zagueiros. E se só o Grêmio jogava, só poderia perder para ele próprio. Certo?

Certo. Num equivoco teimoso de Paulo Silas o Grêmio conseguiu despertar o Santos. Hugo, guerreiro, mas cansado, deveria ter saído no intervalo, Silas demorou a perceber isto, quando percebeu, colocou Leandro, SUA eterna convicção. Maylson, a obviedade que marca sempre que está em campo, ficou no banco. O Santos voltou do intervalo energizado e o Grêmio desconcentrado, com Hugo cansado. O Santos chegou lá, e mesmo assim sem entrar na área do Grêmio. Um chute desesperado de longe, de quem não sabia mais o que fazer. Ali o abriu a porteira para o Santos, que sem jogar nada do que prometiam, venceu na individualidade de Robinho e na conseqüência de Wesley em contra-ataques, o recurso dos acuados.

A gurizada pulou a cerca e escapou da tunda, Mas nada que os ensine a imortalidade. No final das contas, nada daquele baile prometido: 6×5 no placar final e santos vencedor com o regulamento embaixo do braço. Isto foi o tão falado futebol-arte? Além da classificação o Santos ganhou uma lição de lambuja. Afinal, ninguém é homem antes da primeira surra de relho. Tiveram que apanhar e agradecerão o resto da vida ao Grêmio por isso. Mas doeu mais na gente do que neles.

Agora é hora de o Grêmio ensinar a si próprio. A teoria está boa. Falta ajeitar na prática, nisso ainda tem muita lição pela frente.

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