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quarta-feira, 26 de maio de 2010

A orfã - crítica


É amigo, como diria minha avó: “rapadura é doce mas não é mole não”. Chegamos a mais um tópico da seção Cine crítica da Semana com mais uma surpresa para nos divertir – ou ao menos para “me” divertir, acho que tanto faz... A surpresa a qual e refiro (caso não saiba, não se lembre ou não tenha visitado essa página até hoje) é a mais nova derrota (novamente por um voto) de Alvin e os Esquilos 2 (Alvin and the chimpmunks 2, 2009) – na última votação esse filme perdeu por apenas um voto para o Drama nacional Lula – o filho do Brasil (idem, 2009); nesta votação conseguiu um maior de votos (15) e ainda assim ficou um voto atrás do eleito da semana: A órfã. E quem disse que as derrotas dos ratinhos bizarros tem o direito de roubar alguma linhas de minha crítica?

Há algo errado com Ester. Tenha medo...

Quando vi o 1° trailer desse filme senti medo... medo de tratar-se apenas de mais uma produção em que algum moleque psicótico se aproveita de algum tipo de possessão demoníaca (ou algo do tipo) para tirar o sono do resto do elenco em cena – e nos fazer bocejar. Nos últimos dois anos pudemos ver uma tonelada de produções desse tipo e o veredicto é simples: Eles não convencem. Nesse caso em especial ainda havia um agravante: Esther (personagem mirim que tentaria obter êxito numa missão em que quase todos falharam) parecia uma colisão frontal entre Damien Thorn (A profecia) e Felícia (Tyne toons); será que precisamos realmente de outro deles?
A resposta é sim! Esta obra nos fornece muito mais do que esperamos. A órfã é assustador, emocionante, dramático – até divertido, diria eu.
Dizendo isso, não quero que vocês entendam que trata-se de algo inovador e/ou revolucionário, mas convenhamos que nesse sub gênero isso não faz tanta diferença... O que importa é que esse filme é equalizado, tudo aparecem em boas medidas e a julgar pelas reações de minha esposa (que nunca foi fã desse tipo de filme) eu não estou sozinho nesse sentimento. Na verdade, todos naquela sala pareciam estar passeando pelo mundo de Esther, reagindo apenas nos momentos certos – desde as sacudidas coletivas até os gritos. E se meus argumentos não forem suficientes para convence-los dos méritos desse filme, então serei obrigado a dizer que observei os adolescentes presentes (a classificação foi 16 anos) e eles realmente pareciam envolvidos no longa – este é um argumento definitivo se levarmos em consideração que esse pessoal só consegue se concentrar em vampiros malhados, guerras entre robôs ou redes sociais.

Definitivamente há algo errado com Esther.

No filme, John (Peter Sarsgard) e Kate (Vera Farmiga) passam por uma tragédia familiar. A perda de um de seus filhos faz com que, embora ainda tenham outros 2 – Daniel (Jimmy Bennet) e Max (Aryana Engineer) –, resolvam procurar ajuda de um orfanato a fim de adotar mais uma criança. Mesmo depois de alertados das dificuldades de se adotar crianças já crescidas, a aparente maturidade e carisma de Esther (Isabelle Fuhrman) os conquista rapidamente. A menina no entanto, mostra-se maléfica, levando toda a família a loucura. É interessante como Esther atiça as questões latentes entre John e Kate, causando problemas aparentemente isolados, mas que ao se misturarem causam uma onda explosiva de violência e insanidade. Este é um filme daqueles que se saboreia cada detalhe; o problema é que se eu pedisse aos meus leitores para fazer isso quantas vezes teriam que ver o longa? Poderia citar aqui alguns deles, mas prefiro não arriscar a arruinar a experiência. Mas posso dizer que o que é visto nos trailers é apenas a ponta do iceberg; não é um filme que irá “mudar o mundo” nem nada do tipo, mas certamente mostra-se muito competente mesmo estando nitidamente mais interessado na atmosfera misteriosa e no impacto das imagens do que na integridade obre os fatos – nada errado nisso, várias produções do gênero se utilizam de argumentos semelhantes. Além disso as atuações são boas aqui; Vera Farmiga consegue mostrar bom desempenho como uma mãe em apuros assombrada pelos seus fantasmas (sobretudo o álcool) que levantarão questões sobre suas alegações contra a jovem Esther. Peter Sarsgaard, que sempre girou em trabalho contínuo, não compromete; possui um personagem fraco mas indispensável a trama. O terceiro membro do trio principal é Isabelle Fuhrman, que cumpre a promessa da garota assustadora; abusa dos olhares “penetrantes” – sem esquecer o sotaque que nos dá arrepios, ela exala o mal. Por último (mas não menos importante) Aryana Engineer rouba a cena no papel de Max – filha surda do casal presa sob a influência de Esther. Ela acrescenta muito sabor ao filme com suas expressões e certamente é a principal aliada do diretor para aumentar o impacto de suas cenas – quando estas cenas estão sob a ótica diferenciada da garotinha. Entenda se quiser (ou puder) O roteiro é interessante por ser redondo e de fácil assimilação. Para isso o diretor optou por não se aprofundar em questões fundamentais – especialmente no que diz respeito aos problemas do casal. Muito é deixado na poeira à espera de que o próprio público junte as peças – mesmo que algumas destas peças não estejam inclusas no quebra cabeças. Entendam que deixar os espectadores descobrirem as coisas não é necessariamente algo ruim – pode até servir como ponte para uma conexão ainda maior entre a obra e seu público. O problema está na forma nebulosa como em que alguns fatos se apresentam; de uma forma geral, não espere que todas as peças se encaixem ao final numa última análise.

Pra finalizar, digo que gostei do resultado final, o diretor Jaume Collet-Serra (A casa de Cera) com certeza nos trouxe seu melhor trabalho até agora; ele dá ritmo e se utiliza de alguns ângulos interessantes para a sucessão de loucuras que se intensificam a medida que o longa se aproxima do fim. Em Atividade Paranornal (Paranormal Activity, 2007) eu descrevi a cena final como um golpe no plexo solar, aqui mesmo sem golpe algum Collet-Serra nos deixa estático e sem fôlego com o desfecho de sua história.

Filme forte, de clima enigmático (superando o clima de tensão de Reencarnação) e que desafiou as minhas (ou a de todos) expectativas.
Uma experiência que vale a pena ter.

Se você gostou desse filme:
Assista:
  • Carrie, a estranha (Carrie, 1976)
  • Reencarnação (Birth, 2004)
Evite:
  • A Maldição Maia (The Curse, 2000)
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Informações úteis

  • Titulo original: The Orphan
  • País: CAN, FRA, ALE, EUA
  • Ano: 2009
  • Duração: 127 min.
  • Gênero: Suspense / Terror
  • Direção: Jaume Collet-Serra
  • Elenco: Peter Saargard, Vera Farmiga, Isabelle Fuhrman , CCH Pounder , Jimmy Bennett
  • Avaliação: 4 (bom)
  • Trilha sonora: Download aqui
  • Filme completo: Download aqui
Informações (in)útéis
Sobre o filme:

  • Quando vi? 07/02/2010
  • Com quem? Ah... Um monte de gente.
  • Quantas vezes? 3 (assisti esses dias novamente)
  • O que senti? Gostei bastante, me lembrou filmes antigos de terror como O exorcista, O bebê de Rosimarie e Carrie, a estranha.
Sobre o texto:
  • Quando escrevi? 30/03/2010
  • Onde estava? No trabalho (que meu chefe não leia isso...)
  • O que escutava? Massacration - Gates of Metal fried chicken of death
  • O que ingeria? Um chá de sei-lá-o-quê
Outras críticas:
Trailer Oficial:



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