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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O livro de Eli - crítica

Novo filme dos irmãos Hughes começa até bem mas "se vende" e termina como mais do mesmo.


Será que você aí é como eu? Será? Não, não estou chamando você de lunático, o que quero dizer com isso é que com certeza você já deve ter se perguntado porque 9 em cada 10 filmes com visões apocalípticas do mundo, são desérticos (com cenários tão áridos que fazem o sertão nordestino parecer a Suíça), com um monte de escrotos saqueadores soltos por todos os lados, buracos aos montes, entulhos (pra todo lado que a câmera se vire tem sempre um monte de coisa suja ou quebrada) e um punhado de manés com pouca ou nenhuma esperança.

Será que você já notou isso ao menos? Será? Ah, não importa, O livro de Eli (The book of Eli, 2010) seguiu essa mesma linha, lembrando muito filmes como Mad Max (idem, 1979) por exemplo – cara solitário, mundo desolado, sol desgraçado...

Mas uma coisa separou (e muito) O livro de Eli do restante dos outros filmes com esse tema: o lance religioso – afinal, o que mais tem haver com fim do mundo?

Eli (Denzel Washington, de Dia de Treinamento) acredita ser tipo um profeta indo rumo ao por do sol em busca de um lugar para pregar a palavra de Deus. Ah, antes que eu me esqueça... ele tem uma Bíblia – e essa é a última que existe!

Uma outra coisa que diferenciou este filme dos outros tantos que existem por aí é a forma como os diretores/irmãos Albert e Allen Hughes (de Do Inferno) usaram alguns recursos visuais interessantes que dá realmente uma sensação de desolação. É o caso da textura meio granulada, as cores quentes, o som... note que os tiros são silenciados lentamente dando a impressão de profundidade, isso nos passa uma impressão maior de veracidade. O lugar parece desértico mesmo.

Esqueça Wesley Snipes, negão bom de briga é o Denzel!

Infelizmente nem tudo por aqui é original, como todos os filmes desse tipo, aqui também temos um clichezãããããããão: A PANCADARIA! Seja com um facão,uma pedra, uma pistola ou na mão grande, o importante para o protagonista é tocar o terror mesmo, enchulapar qualquer um que apareça em sua frente. E olha que o negão faz isso até com uma certa facilidade – uma amiga chegou a me falar que achou o filme uma mistura de Blade - o caçador de vampiros (idem, 2002) e Mad Max. No inicio até que não entendi muito bem, mas do meio pro fim não é que tem algumas semelhanças mesmo – note as coreografias das lutas...

Mas O livro de Eli se desenrolou como uma espécie de Faroeste das antigas e como tal, teve que ter um vilão bem clichê. E é exatamente quando esse vilão da as caras que o bolo que pareceu ser especial se tornou exatamente igual a qualquer outro docinho da mesa. Carnegie (Gary Oldman, de Batman – o Cavaleiro das Trevas) é um cara cruel, que fará qualquer coisa para surrupiar o livro que Eli carrega. Eu nem preciso dizer que o grande momento do filme é exatamente quando ambos se encontram e claro que esse encontro foi recheado de bofetadas, cacetadas, cusparadas, mordidas e outras trocas de gentilezas.

O pior de tudo é que é decepcionante ver um filme que tinha tanto potencial ir nessa direção. Poderia ter sido muito mais que isso se explorasse o uso da religião e suas varias contradições – servindo como salvação para uns e para outros uma verdadeira maldição.

Carnegie é o típico personagem prostituído, um “Capeta básico” – nada contra Oldman, ele o faz até com a competência natural de suas atuações. O Denzel dispensa comentários... O problema foi realmente de direção. Os diretores permitem que o filme descambe para um lado mais “comercial” e acabam perdendo todo o potencial de seu roteiro – e de seus atores, afinal temos dois verdadeiros monstros da atuação nos papéis principais.

Assim mesmo, O Filme de Eli é um livro que merece ser lido, digo, O Livro de Eli é um filme que merece ser visto, ainda que a produção comece de forma tão positiva e do meio pro fim torne-se previsível (e até monótona), mesmo após um final inesperado que fará boa parte da platéia gastar mais um ingresso para entender melhor.

Por fim, acho interessante elogiar o trabalho do roteirista estreante Gary Whitta, todos nós sabemos que com certeza o roteiro original não devia ser da forma como saiu na tela, os “ajustes comercias” são as maiores pragas do cinema atual e destroem as boas idéias como a de roteirista novato. Parabéns Whitta, você fez um ótimo trabalho. Já os outros...

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Informações úteis:

  • Titulo original: The book of Eli
  • País: EUA
  • Ano: 2010
  • Duração: 118 min.
  • Gênero: Ação / Suapense
  • Direção: Albert e Allen Hugues
  • Elenco: Denzel Washington, Gary Oldman, Jennifer Beals, Mila Kunis, Ray Stevenson, Lora Martinez, Luis Bordonada, Tom Waits, Frances de la Tour
  • Avaliação: 3 (ok)
Informações (in)útéis
Sobre o filme:
  • Quando vi? 05/04/2010
  • Com quem?
  • Quantas vezes? Uma vez
  • O que senti? Ha, vá...
Sobre o texto:
  • Quando escrevi? 10/04/2010
  • Onde estava? Em casa
  • O que escutava? Summer Eletrohits (ou melhor, o meu vizinho escutava na maior altura..)
  • O que ingeria? Cerveja
Trailer oficial:



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