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terça-feira, 6 de julho de 2010

Príncipe da Pérsia, as areias do tempo - crítica

A aventura do principe adotado até se esforça mas não consegue nem de longe alcançar o sucesso dos joguinhos.


Se você nasceu na 1ª metade da década de 80, se já matou algumas aulas para terminar as milhares de fases do Super Mario World ou já trocou aquela balada numa noite de sábado por umas voltas nas ruas de GTA; então certamente deve ter uma forte relação afetiva com nomes como Street Fighter, Alone in the Dark, Dead or Alive, House of Dead, Zelda...

Mas se você além de gamemaníaco, também é viciado na tal da 7ª arte, então já teve o (des)prazer de assistir as adaptações sofríveis desses joguinhos para as telonas. A explicação para isso é simples: o mundo dos games fala um idioma completamente diferente do de Hollywood - isso qualquer um pode entender. Baseado nisso podemos afirmar que qualquer adaptação torna-se tão arriscada quanto o ganha pão do Sargento James em Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008).

Mas não se engane, existem muitos (muitos mesmo) jogos com enorme potencial para se tornarem filmes daqueles que lotam salas de cinema e agradam até os mais chatos dos críticos. Filmes como Mortal Kombat (Idem, 1995), (Resident Evil – o hóspede maldito (Resident evil, 2002), Final Fantasy – o filme (Final Fantasy – The spirits within, 2004), Doom – a porta do inferno (Doom, 2005) e Hitman (idem, 2007), são exemplos de obras que conseguem ir além da mediocridade das bagaças que listei acima e entretêm a platéia por alguns minutos. Nada mais que isso.
O único destaque é Terror em Silent Hill (Silent Hill, 2006) que é considerado até hoje como a melhor (ou a menos ruim, você escolhe) adaptação de um game já feita até hoje.

Que (re)comecem os jogos.

A bola da vez é a série de jogos de aventura, Prince of Pérsia, famosa pela ação incessante, gráficos de 1ª e história bem elaborada. Não demoraria muito tempo para virar filme. Foi só a Disney soltar a grana, Jerry Bruckheimer dar as cartas e Jake Gyllenhal fazer o implante capilar.
O filme se passa na Pérsia Medieval, cuja época exata nunca é dita – e quem souber morre. Dastan (Jake Gyllenhal, de Soldado Anônimo) é um moleque de rua do antigo reino Persa que dá testa a um soldado do império e chama a atenção do Rei. Impressionado com a performance do trombadinha durante a tentativa de fuga (digna de um dublê do Tarzã) o Rei decide adotar o menor infrator e automaticamente torna-o um dos seus príncipes.

A partir daí róla uma monotonia na tela – o famoso “encher lingüiça”, prepare-se. O filme só ganha um novo fôlego quando chega uma denuncia de que o Reino de Alamut estaria escondendo armas de destruição (lembrou de algo?), assim, o príncipe adotivo e seus irmãos partem em direção ao Reino na intenção de conquistá-lo (agora lembrou!) e surrupiar a deliciosa princesa local – que porta um precioso artefato. Humm.

A operação que parecia ser mamão com açúcar para o príncipe de Brokeback Mountain, digo da Pérsia; na verdade é uma puta trairagem com o bastardo, que após o retorno é acusado de matar o Rei e acaba tendo que fugir com a prisioneira. A males que vem pra bem afinal...
Agora ambos terão que se unir para continuar vivos, provarem a inocência de Dastan (muito original, não acha?) e encontrar as tais areias que dão título ao filme.

Quer ganhar no grito?

Príncipe da Pérsia - As areias do tempo (Prince of Persia - The sands of time, 2010) é um filme divertido (pipoqueiro como todos os filmes produzidos por Bruckheimer) e até prende a nossa atenção pelos efeitos especiais, pelo barulho (pra quem gosta), pelas piruetas macaqueadas do Le pakour (no melhor estilo B-13) e pelo barulho – de novo.
Quanto a trama e a composição dos personagens (e suas representações), não se importe muito – afinal, se nem eles se importaram muito com isso porque nós deveríamos nos preocupar.

Tenho escutado nos últimos dias todo tipo de coisa sobre essa adaptação. E ela causa esse tipo de reação mesmo. Ora você acha um bom filme (principalmente no início); de repente a casa cai e parece um amontoado de cenas de ação com pouco propósito.
Os cenários são bem fiéis aos do jogo, ou seja, tão horríveis quanto. Agradam aos fãs pelo menos. Fiéis também são os saltos característicos e o figurino do príncipe – uma espécie de chimpanzé Persa, vestindo roupas de Yves Saint Laurent – e ainda tem a adaga, cujo poder é ativado pelo botãozinho mágico. Eu ri...
Não quero dizer com isso que a obra é ruim, mas convenhamos, faltou muito (muuuiiiito mesmo) para superar o seu principal oponente no gênero: Terror em Silent Hill.

Um Mix entre Piratas do Caribe (Pirates of the Caribean, 2003) e Aladdin (Idem, 1992) com umas pitadas de Indiana Jones; Príncipe da Pérsia - As areias do tempo fica abaixo de todos eles e tenta ganhar um lugar na audiência popular na base do grito - literalmente, levarmos em consideração a barulheira toda. Mas não é bem assim. Nós temos todo o direito de dizer NÃO a essas produções insossas, recheadas com piadinhas e romance modinha que só servem para ajudar a criar um clima ideal para os chamados "filmes família”. Nada contra os filmes direcionados a todos os públicos, mas dói ver uma saga onde o guerreiro principal não pode sequer sujar as mãos (nem as armas) de sangue...

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Informações úteis:

  • Titulo original: Prince of Persia - The sands of Time
  • País: EUA
  • Ano: 2010
  • Duração: 116 min.
  • Gênero: Ação
  • Direção: Mike Newell
  • Elenco: Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Toby Kebbell, Richard Coyle.
  • Avaliação: 3 (ok)
Informações (in)útéis
Sobre o filme:
  • Quando vi? 20/06/2010
  • Com quem?
  • Quantas vezes? Uma vez
  • O que senti? Nem sei direito viu...
Sobre o texto:
  • Quando escrevi? 06/07/2010
  • Onde estava? No trampo
  • O que escutava? Amy Winehouse - Back to Black
  • O que ingeria? Nada
Trailer oficial:



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