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segunda-feira, 14 de junho de 2010

A lição involuntária da palhaçada


Por Cristian Bonatto

Nós, homo sapiens do gênero masculino, temos por natureza um déficit de sensibilidade, por vezes confundido com falta de amor ou grossura mesmo, por esposas e filhos. Isso nos impede por vezes, de lembrar datas de aniversário, nos faz confundir idades e séries do colégio.
Com as mulheres, agimos da mesma forma. Reclamamos do tempo que levam para se arrumar para sair, quando finalmente ficam prontas e lindas, nos damos conta de como valeu a pena. Mas não dizemos nada, no geral, esperamos que elas entendam isso com aquele tapinha na bunda. Chegamos sim a imaginá-las naquelas botas de 400 reais da vitrine que ela nos levou “sem querer”, só que por mais que a imagem tenha ficado ótima na cabeça, fica por lá. O que sai é o comentário sobre o custo/benefício de uma peça que ela já tem várias.

Se a arte imita a vida, a vida imita o futebol, às vezes até com mais propriedade. São inúmeras as situações do mundo da bola, dentro e fora de campo, que explicam isto. Ás vésperas do dia dos namorados, talvez Felipão tenha nos dado, de forma sutil, uma lição involuntária sobre aquilo que as mulheres estão dizendo quando falam em “demonstrações de afeto (de preferência públicas)”.

Por quase um mês, a imprensa local criou e alimentou insistentemente a especulação de que Luiz Felipe Scolari, Gremista cônsul em Porto Alegre, estaria se acertando com o rival. Desrespeitaram a honra e ignoraram a hombridade di il padrino. A sustentação ia ficando criativa. Acertaram o salário, sugeriram uma hipotética vontade do Felipão em ser vencedor nos dois lados e colocaram até a mulher dele no meio. A torcida do outro time de Porto Alegre se iludiu, Revelou-se a admiração ao Gremista Felipão até pelos mais resistentes. Sonharam com ele e pronto, falaram.

Admita, te pegaram também. Teve gremista convencido do “fato” e outros no mínimo com uma pulga atrás da orelha. Estaria Scolari nos apunhalando pelas costas? Será que o Felipão não era mais o mesmo? Iria colocar dinheiro acima de seu Gremismo como um mortal qualquer? Diria “…mas sou um profissional acima de tudo”, a frase destruidora de caracteres? Nem ouvindo da boca do próprio, acreditaríamos. Mas precisávamos da sua manifestação.

Talvez por ter mais o que fazer, e por achar que já tinha sido claro o suficiente quando mandou prender quem teve essa idéia, Felipão nada falava. Só na sua esperada segunda manifestação oficial, em que DESENHOU para quem precisava a sua condição de GREMISTA que NUNCA realizará nenhum trabalho na equipe RIVAL, foi que conseguiu encerrar o assunto.

Seja qual foi teu grau de preocupação nessa palhaçada toda, diz aí, tu ficou aliviado e feliz com as palavras do Mestre. Agora, seu grosso e insensível homo sapiens do gênero masculino, tu sabe qual a sensação da tua namorada, esposa e filhos em relação ao teu silêncio. Neste Dia dos Namorados leva tua mulher na churrascaria, sobe no Buffet e recita “Pra ti Guria” do Jaime Caetano Braum, bem alto. Se tu é bem macho.

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