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segunda-feira, 4 de abril de 2011

VIP's | crítica

Wagner Moura até tenta, mas VIP’s fica no quase.

Marcelo Nascimento da Rocha; você já escutou alguém falar deste sujeito? Sim? Não? Não importa a resposta; o que importa mesmo é que esse cara tem uma história (ou melhor, várias delas) que faria inveja até ao próprio Frank Abganale Jr – aquele vigarista estadunidense que ficou conhecido após ter sua vida esmiuçada naquele filme (Prenda-me se for capaz, Catch-me if you can, 2002) de Spielberg com direito a DiCaprio e Tom Hanks nos papéis principais e tudo mais. E ‘diga-se de passagem’ o escroque gringo teve mesmo uma vida digna de filme – assim como o nosso.

Foram 29 anos de trapaça, lero-lero e muita manha. Na época em que serviu o Exército, fingiu ser um dos picões do Serviço Militar; Já fingiu ser guitarrista do Engenheiros do Havaii – como se houvesse alguma vantagem nisso; olheiro da Seleção Brasileira; campeão de Jiu-jitsu; policial (esse foi o golpe menos lucrativo do cara) e até líder do PCC. Mas o tinhoso só apareceu de fato para o público quando executou o seu maior golpe – ou pelo menos o mais cara de pau: durante quatro dias o sacana se passou por Henrique Constantino (filho do dono da GOL) durante o Recifolia (aquela putaria que róla lá pelas bandas do Pernambuco) e se serviu de toda a miscelânea de coisas que alguém que é anunciado por esse título tem direito – com direito a entrevista no programa do Amaury Jr e tudo mais... era só questão de tempo para essa história ir parar nas telonas.

Dale Marceleza!

VIP’s (idem, 2011) conta a história desse tal Marcelo, rapaz que desde pequeno basicamente teima em não ser ele mesmo. Seu maior prazer é imitar quem quer que seja. Abestalhado e iludido com o sonho de pilotar teco-tecos e tornar-se aviador como o seu pai, o guri foge da casa da mãe e começa a esculhambar geral a vida dos outros (e a sua própria), sempre se passando por pessoas diferentes e aplicando espertices a torto e a direito: viajou de graça, se hospedou em hotéis de luxo, trepou com atrizes gostosas da Globo (e de outros canais menos conhecidos) e fez um monte de outras coisas que manés só podem sonhar em um dia fazer.

O roteiro já estava pronto. Bastava filmar.

VIP’s é baseado num livro de 2005 de Mariana Caltabiano: VIP’s – histórias reais de um mentiroso. Lá a equipe do Diretor Toniko Melo poderia facilmente encontrar todas as informações necessárias para fazer desta produção uma obra inesquecível – e olha que nem seria tão difícil, estava tudo bem descrito ali: era só copiar tudo em ritmo de documentário e tudo ficaria bem. Mas não foi bem isso que aconteceu...

Wagner Moura encarna o 171 e tem a dura missão de nos passar algo que parecia fácil a princípio – só a princípio. Esse problema reside muito no fato de VIP’s buscar uma explicação filosófica/romântica para a mente escrota de Marcelo – será que ninguém da equipe que leu o livro (será que leram?) entendeu que o cara se divertia exatamente pelo simples fato de poder sacanear A ou B? o negócio é simples mesmo, sem géri-géri ou frescurinha alguma; isso o motivava mais que qualquer outra coisa. Mas ao invés de evidenciar isso, o filme tenta criar uma “base psicológica” para o personagem se tornar mais profundo (graças a Wagner isso é possível, mesmo no meio da confusão toda) ou sei lá o que – como se o cara fosse um gênio incompreendido que passava a perna numa galera “intelectualóide” para chamar a atenção para seu alto Q.I. Típico vício do cinema nacional em copiar os dramalhões europeus – e isso fode a maioria de nossos filmes com potencial. Cara; o que é simples tem que ser tratado como simples, sem arrodeios: afinal de contas o negócio é SIMPLES porra. Como diria os sabidos: é mais difícil transformar algo simples em algo complicado que o contrário.

Não quero dizer que VIP’s seja um filme ruim, pois consegue divertir/entreter em seus pouco mais de 90 minutos com as situações bizarras que o cara se enfia; definitivamente vale a pena ser visto, até por contar com o Wagner numa excelente fase – embora na opinião do próprio Marcelo, o Selton Mello seria o ator mais indicado. Mas cá pra nós, uma andorinha só não faz verão – alem do mais é foda ver que uma história com tanto potencial se transformou num filme mediano. Tinha espaço pra muito mais pano nessa manga.

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2 comentários:

  1. Estou aqui com um único proposito, dizer pra você da minha satisfação e alegria em te repassar dois selos que estão lá no nosso blog. Caso se interessar, é só retirar lá no blog. Seu blog é um dos blogs que merece esse tipo de reconhecimento, afinal é através dos selos que representamos nosso carinho por determinado blog. Um super e grande abraço pra você.

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