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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Kamelot - Poetry for the poisoned | crítica

O Kamelot e a teoria do “Piloto Automático”.

Existe uma espécie de fenômeno no Rock mundial chamado (por mim) de “Piloto Automático” que serve bem para descrever o que acontece com as bandas que fazem aquele som Show de Bola. Pra quem nunca conversou comigo (e portanto não conhece a expressão), eu explico: sabe quando os aviões estão lá na casa do caralho (isso quer dizer que eles estão voando alto pra cacet... acho que você já entendeu) e o piloto aciona aquele botãozinho “mágico” que controla a geringonça, deixando o capitão da nave livre para fazer outras coisas – como azarar aquelas aeromoças boazudas, por exemplo. Mas isso é uma outra história...

Se você não esta entendendo o que diabos isso tem a ver com esta crítica, ok, eu explico – novamente aliás. É que algumas bandas (parece) que conseguiram achar uma forma de apertar uma espécie de botão particular (não é esse botão particular que você está pensando) e desde então o nível dos seus trabalhos nunca mais caiu.

Pra você que tem a memória fodida e não consegue se lembrar nem do que (ou de quem) comeu ontem a noite, relaxa, eu posso citar alguns exemplos para ajudá-lo a se recordar: o Los Hermanos por exemplo, parece que já nasceu com o tal botão pressionado; desde o primeiro álbum o nível não caiu – pelo contrário. Shadow Gallery, Épica, Stratovariu’s e Angra são outras boas amostras do tal fenômeno, mas atualmente nenhuma delas se compara ao Kamelot. Mas nem sempre foi assim...

O Kamelot sempre foi uma banda instável, podendo num mesmo álbum criar obras primas e verdadeiros abacaxis com a mesma naturalidade – para não dizer cara de pau. Mas isso mudou após o lançamento de “The Black Halo” (idem, 2005), sétimo trabalho dos caras – considerado por mais de não sei quantos malucos, como o melhor até hoje. Este foi o álbum responsável pelo “start” da banda gringa, e aí vocês já sabem o que acontece depois disso...

O Kamelot é foda e vice versa.

Poetry For The Poisoned” (idem, 2010) é o nono disco da banda estadunidense e já nasceu cercado de firulas e expectativas - que respondeu a altura metendo o melhor do Heavy Metal, com arranjos mais pesados que o Jô Soares distribuídos em dezessete (ou quatorze se você escutar o simples) faixas mais viciantes que o Pac Man. Ou será que você consegue escutar “The Great Pandemonium” (música de abertura) uma vez só?

Se sua resposta for “não” então prepare-se para apertar o repeat no seu player, pois todas as outras faixas são igualmente boas. “If Tomorrow Came” é escrota, com um refrão mais pegajoso que namorada insegura – ela fará você a cantarolar pelas ruas como um abestalhado muitas e muitas vezes. Depois não diga que não avisei. Khan (que saiu da banda pouco depois desse lançamento) continua uma das melhores vozes do Rock, dando a cada musica um lance teatral saca – “Zodiac” (em seguida) é uma das melhores do álbum e uma das mais cênicas também.

Claro que não poderia faltar uma baladinha com cara de tema romântico de casal da Novela das Oito: “House On A Hill” foi o primeiro single e teve a nítida missão de arrastar o som às mais classes “menos favorecidas” (fãs de musica pop romântica internacional, por exemplo). Para não fugir do clichê Kamelotiano, Simone Simmons (do Epica) está lá mais uma vez; claro que a música serve como introdução para uma mais cascuda, e isso a galera vê (escuta) quando começa “Necropolis” (fodástica!!) com suas passagens orquestradas – e mais teatro, que nos leva até a... a... a.... (acabaram os adjetivos cara...) “My Train Of Thougts”. O álbum segue com “Seal Of Women Years” e as quatro hipnóticas partes da faixa que dá o título do disco: “Poetry For The Poisoned”.

O novo álbum do Kamelot pode até parecer bom nesse texto (espero que não tenha exagerado na rasgação de seda), mas se torna totalmente foda quando está tocando – e mais puxação de saco. Não consigo parar de escutar faz quase um mês – e sem previsão para parar. Normalmente não sou de ficar babando ovo de porra de ninguém, mas convenhamos que é bom pra caralho admitir que foi hipnotizado por alguma coisa. E se essa “alguma coisa” for tão bom quanto “Poetry For The Poisoned” fica fácil admitir.

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3 comentários:

  1. Eu penso que encima do que você fala, sobre esse não deixar cair, é basicamente o talento e a verdade do trabalho, é claro que existe relatividade em muitas coisas, é bem verdade, mais no fim, o longo tempo de existencia de um artista ou uma banda, está basicamente plantada no talento. Um fraternal e carinhoso abraço! Tenha um otimo final de semana.

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  2. Não é meu estilo, mas parece ser interessante.
    A sua análise é bem criteriosa e bem escrita.
    Sucesso com o seu blog!

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